Mudanças na rede municipal de saúde
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sexta-feira, 11 de dezembro de 2015
Viviani Costa<br> Reportagem Local
Um projeto-piloto executado pela Secretaria Municipal de Saúde divide as opiniões de quem procura por atendimento médico. Na falta de ginecologistas, mulheres são atendidas por clínicos gerais. O encaminhamento ao especialista só é feito quando considerado necessário. De acordo com o secretário municipal de Saúde, Gilberto Martin, a intenção é ampliar o projeto na rede de assistência básica a partir de fevereiro. A proposta, segundo ele, poderia melhorar as condições de atendimento aos pacientes. "A atenção primária à saúde, em relação ao atendimento médico e este é um princípio inclusive do Programa Saúde da Família, deve ser feita pelo clínico geral, pelo médico generalista ou pelo médico de saúde da família. Considera-se que 80% das demandas por consulta médica são necessidades básicas que podem e devem ser resolvidas por um generalista", afirmou. Londrina possui 54 unidades básicas de saúde e apenas 27 ginecologistas nos postos.
Nos últimos três anos, segundo o secretário, quatro concursos foram realizados pelo município para a contratação de ginecologistas. O último ofertou 40 vagas e teve 29 inscritos. No entanto, apenas nove profissionais se apresentaram para assumir os postos de trabalho. "A gente tem uma realidade que a oferta de profissionais para estas especialidades costuma ser uma oferta que não atende a demanda como deveria", justificou.
Há pouco mais de um mês, um grupo de ginecologistas e obstetras deu início ao projeto-piloto. "Temos um núcleo de ginecologistas que ficam em um posto central fazendo o acompanhamento dos casos em que os clínicos fazem o atendimento. Os acompanhamentos são feitos por telefone ou pessoalmente, dependendo da necessidade do clínico. Eles orientam e fazem o monitoramento da condução desses casos. Quando necessário, encaminham ao posto central", explicou o secretário. Atualmente, os ginecologistas estão concentrados na UBS da Avenida São Paulo. A partir de fevereiro, o núcleo deve ser transferido para o antigo posto de saúde do Parque Guanabara, ao lado do mercado municipal, na zona sul.
Mesmo com o avanço do zika vírus e o aumento nos casos de microcefalia no País, Gilberto Martin defendeu que a medida não trará prejuízos à população. "Não existe mudança técnica na área da saúde que venha a trazer qualquer prejuízo para as pessoas. Talvez se nós conseguirmos ampliar a oferta de atendimentos vamos ampliar o acesso à população que não vai mais precisar aguardar por este especialista", argumentou. A Secretaria Municipal de Saúde também estuda uma proposta semelhante na área da pediatria. Hoje há 44 plantonistas no Pronto Atendimento Infantil (PAI) e pouco mais de 40 nas unidades básicas de saúde. Clínicos gerais fariam o primeiro atendimento às crianças e novos pediatras seriam convocados nos próximos meses.
Para o presidente da Associação Médica de Londrina (AML), Antônio Caetano de Paula, a medida seria apenas paliativa. "O clínico geral tem limitações para fazer esse atendimento. Ele está preparado para fazer o atendimento geral, mas há detalhes mais específicos como a administração de medicamentos, a análise dos sintomas e outros itens", defendeu. O presidente da AML, que também é ginecologista e obstetra, apontou que os baixos salários e as condições de trabalho afastam os profissionais dos municípios.
A população está dividida em relação às mudanças. "Eu não concordo com isso. As grávidas, as mulheres de uma forma geral, precisam ser atendidas por um ginecologista. Cada um cuida da sua especialidade. No caso da minha filha, só ficaria tranquila se ela fosse atendida por um pediatra", afirmou a vendedora Sandra Zunarelli. "Acho melhor ter médico do que não ter nenhum. Pelo menos a gente vai ser atendida. Fiz o pré-natal no posto de saúde e, quando não tinha médico, me mandavam para o HU. Lá na UBS do União [zona sul], no mês passado consegui marcar uma consulta com o pediatra para o mês de fevereiro", disse a dona de casa Jeane de Almeida. No posto de saúde, segundo ela, os pediatras que trabalhavam na unidade foram remanejados para outros locais e agora há apenas um especialista.
"Fiz o pré-natal na UBS do Vivi Xavier [zona norte]. Acho boa essa mudança porque aí a gente não fica sem atendimento", comemorou a dona de casa Crisliane Pereira de Lima. "Cada um com sua especialidade. Ficaria desconfiada, nesse caso, se estivesse procurando um ginecologista e fosse atendida por um clínico geral", discordou a dona de casa Luciana de Luca. As mães estavam com os filhos a espera de pediatras no Pronto Atendimento Infantil (PAI).