Mudanças climáticas exigem ações
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domingo, 25 de novembro de 2007
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Se por um lado a alta taxa de urbanização de Londrina - cerca de 95% - pode ser considerada sinônimo de progresso, por outro, as consequências dela ao meio ambiente vêm se consolidando com principal fator para o aumento constante da temperatura na cidade. Essa é a opinião de profissionais ligados ao estudo ambiental que discutiram, ontem, na Conferência Municipal do Meio Ambiente, as causas do problema e as medidas capazes de minimizá-lo.
O evento, que terminou ontem, foi organizado pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Sema) e pelo Conselho Municipal de Meio Ambiente (Consemma). Ao todo, quatro principais temáticas foram trabalhadas por palestrantes e grupos de discussão: a redução das causas do aquecimento, a adaptação às mudanças geradas por ele, o controle social do problema e como tratá-lo dentro da educação ambiental.
De acordo com o secretário Gérson da Silva, o objetivo é tornar o assunto mais próximo do cidadão comum e conscientizá-lo de que as consequências do aquecimento podem ser combatidas com ações simples, sejam elas coletivas ou individuais.
''Pelo menos 70% daquilo que se joga fora, por exemplo, é reciclável, assim como o carro a gasolina pode ser substituído pelo motor flex, a álcool. São atitudes simples, mas, até pelas cobranças que temos recebido da sociedade organizada, que parecem estar sendo adotadas aos poucos''. disse silva.
Para o presidente do Consemma, Fernando Barros, o debate sobre as causas do aquecimento está diretamente relacionado à discussão sobre a cobrança ao poder público. ''O clima só terá mudanças positivas efetivas se resolvermos problemas, em Londrina, como a falta de ciclovias, a baixa adesão ao transporte coletivo, a carência de plantio de árvores e a retenção de calor na área central, em função da verticalização'', afirmou Barros. Segundo ele, a construção de prédios e a ocupação acelerada da zona urbana não têm sido acompanhadas, na mesma medida, com o cuidado que se deveria ter com o solo - e, avalia, nem com a observação estrita da legislação ambiental vigente.
''Temos uma legislação nova, moderna, mas desconhecida e descumprida: os problemas ambientais cresceram, a impermeabilização do solo também, mas as equipes de fiscalização seguem com as mesmas estruturas de anos atrás'', reclamou.
A geógrafa Denise Sette, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTF-PR), concorda com o presidente do Consemma quanto à necessidade de mudança de hábitos. Sobre as causas do awquecimento na cidade, ela prefere ver o problema de forma localizada: ''Há uma frota de veículos numerosa e uma ocupação do solo de maneira desordenada, sem arborização adequada e com danos à permeabilidade do solo. Ou esse cenário muda, ou os efeitos de chuvas e eventos serão cada vez mais sentidos pelo morador'', declarou.


