''A gente nunca sabe quando vai fazer calor e quando vai fazer frio.'' A frase da dona-de-casa ouvida ontem no Calçadão de Londrina resume a principal característica deste inverno, que de quebra ainda trouxe grande escassez de chuva. No campo, o resultado são as perdas na lavoura; na cidade, consultórios médicos lotados e pais preocupados com a saúde dos filhos. Depois de vários dias com temperaturas altas, a previsão da meteorologia para o fim de semana é de muito frio hoje a mínima deve ser de 10 graus.
''As mudanças bruscas de temperatura fazem com que a mucosa nasal e das vias aéreas reaja produzindo mais secreções, criando condições propícias às infecções virais, como gripes e resfriados'', explica o pediatra e pneumologista José Orlando Nonino. Segundo o médico, as maiores vítimas são os pacientes alérgicos, que sofrem com as crises de rinite e asma.
Para amenizar ou até evitar os problemas, Nonino recomenda cuidado especial com a hidratação, principalmente de crianças e idosos. ''O ideal é que isto seja feito com água, sucos e chás, evitando refrigerantes, que engordam muito.'' Ele ainda aconselha que sejam evitados ambientes com pouca ventilação e com fumantes, além de um rigoroso controle de poeira nos ambientes. ''Também é recomendável o uso de soro fiosológico para lavar o nariz, várias vezes ao dia.''
Finalmente, o pediatra alerta para o perigo de pneumonia. ''Crianças com febre alta, acima de 39 graus, devem ser levadas o mais rápido possível ao pediatra'', observa.
Ontem à tarde, pouco antes de começar a cair os primeiros pingos de chuva e ainda com a temperatura típica de verão, a preocupação das pessoas era justamente com a reação de cada organismo diante da chegada repentina do frio. ''Vim para o Centro logo depois do almoço e ainda estava calor. Mas por precaução eu já trouxe uma sacola com agasalhos e até cobertor para a nenê. Ela já teve dor de garganta e de ouvido, não quero que volte a ficar doente'', disse a dona-de-casa Shelley Cândido dos Santos, com a filha de sete meses no colo. Ela contou que já se acostumou a sair de casa carregando todo tipo de roupa para a nenê.
O fruticultor Valdir Sérgio dos Santos também temia pela saúde da filha, com a volta das temperaturas baixas. ''Ela já ficou bem doentinha, com muita tosse, por causa deste tempo seco. Agora, com o frio, dá medo de voltar tudo'', comentou, referindo-se à filha de um ano e nove meses.
Já a comerciária curitibana Leonízia da Silva, que está de passagem por Londrina, tem consciência que as ''maluquices'' do tempo são, na verdade, resultado da falta de cuidado. ''O próprio homem causou tudo isso.'' Além dos problemas com a saúde, ela lembrou dos incômodos causados pela temperatura inconstante. ''Tive que trazer de tudo na mala, desde casacos até blusas de verão.''

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