MUDANÇAS - Redução no atendimento desagrada pacientes
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quinta-feira, 14 de julho de 2016
Aline Machado Parodi<br>Reportagem Local 

A redução no horário de atendimento das Unidades Básicas de Saúde (UBS) da zona rural de Londrina, que entrou em vigor na segunda-feira (11), não agradou os usuários. Os que mais reclamam são as pessoas que só podem procurar o serviço à tarde, como a babá Rosimeire Malaquias, que mora no Distrito de Irerê (zona sul). A unidade funcionava das 7 às 17 horas e agora, por determinação da Secretaria Municipal de Saúde, está fechando duas horas mais cedo. O objetivo é reduzir os gastos com horas extras dos servidores.
"Muita gente sai do serviço e só pode vir no horário da tarde. Eu saio na hora que o posto está fechando. A partir de agora, se precisar de atendimento, vou ter que faltar no trabalho ou ir para Londrina. Só vim hoje porque estou férias", reclamou a babá, que deu entrevista à Folha na quarta-feira.
A preocupação de Rosimeire também é com uma possível superlotação das UBS durante as manhãs. "O atendimento já não é dos melhores e com menos tempo a situação vai ficar difícil para o povo. Acho que vai virar um tumulto nos postos de saúde e também nos hospitais".
A dona de casa Maria Aparecida Alves não sabia do novo horário de atendimento e chegou dez minutos antes de a unidade fechar. Acostumada a procurar a unidade na parte da tarde, ela acredita que o fechamento mais cedo não será percebido pela comunidade. "Às vezes, vinha lá pelas 16 horas, agora vou ter me organizar. Não vejo problema fechar cedo, porque você chega aqui de tarde e está sempre vazio", disse.
O horário também mudou nos distritos de Paiquerê e São Luiz e no Patrimônio Guairacá, que também estão com atendimento reduzido em duas horas. No Distrito de Guaravera e no Patrimônio Três Bocas, as unidades ficam abertas até as 16 horas; nos patrimônios Selva e Regina e Distrito de Warta, fecham às 15h30; e, nos distritos de Maravilha e Lerroville o funcionamento continua normal.
A diarista Luzinete de Deus Biondi também está preocupada. Ela faz acompanhamento diário da pressão arterial e na quarta-feira foi na UBS de Paiquerê para aprender a usar o equipamento de medição. "Eu trabalho de manhã e só posso vir à tarde. Então, trouxe o aparelho para elas (enfermeiras) me ensinarem a usar em casa. Preciso medir a pressão todos os dias durante um mês. Não posso ficar perdendo serviço para vir aqui medir de manhã", comentou.
Luzinete sugere que a unidade fique aberta na parte da tarde pelo menos duas vezes por semana. "Tem gente que faz insulina e acompanha a pressão", justifica.
De acordo com a equipe da UBS, a mudança não afetou a rotina de atendimento, pois o maior movimento é durante a manhã e até as 15 horas. Os pacientes foram orientados sobre o novo horário na semana passada.
A equipe da UBS se divide entre em Paiquerê e Guairacá. Lá, o horário foi reduzido em uma hora, mas as consultas médicas são feitas uma vez por semana e só no período da matutino. "Uma hora a menos faz diferença. Principalmente no dia que vem o médico, porque fica muito lotado e o pessoal que quer só pegar um remédio deixava para vir a tarde", disse a dona de casa Ana Paula Barbosa, moradora do patrimônio.
Para os moradores do distrito, a UBS é a única referência de saúde. "Aqui é longe de hospital. O Samu leva quase duas horas para chegar, nem farmácia temos. O único socorro é o postinho. E, ao invés de melhorar, só piora", reclamou a cozinheira Claudenice Caetano. (Leia mais na pág.2)


