A experiência dos vizinhos do Jardim Santa Rita 4 - que era comum em bairros de pequenas ou grandes cidades há alguns anos - atualmente chama a atenção justamente pela preservação de costumes que estão caindo em desuso. O sociólogo e historiador Hermann Oberdiek, professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), defende que a falta de solidariedade entre os vizinhos é reflexo de uma mudança social ocasionada pelo avanço das telecomunicações, pela ausência dos pais na criação dos filhos e na rotina doméstica e até mesmo pela fobia da violência. ''As causas são múltiplas'', afirmou.
Segundo ele, esses costumes tradicionais sobrevivem em comunidades mais antigas, onde residem pessoas mais velhas que mantêm a tradição de colaborar entre si. ''É a chamada solidariedade mecânica'', conceituou. Em ambientes mais modernos, onde as relações pessoais são substituídas pelas novas tecnologias, acontece o que ele chama de solidariedade orgânica. ''As pessoas só se relacionam quando há necessidade. É o caso de moradores de edifícios que
não se cumprimentam no elevador.''
Para Oberdiek, a ''terceirização'' da educação das crianças para escolas ou babás é outra causa do distanciamento entre as pessoas. ''A família deixa de ser local de referência e isso reflete no relacionamento com outras famílias''. Outro fator de desagregação é a religião. Nas sociedades tradicionais, a participação nas atividades das igrejas é motivo para as pessoas se encontrarem e conviverem. O mesmo não acontece na sociedade moderna, onde, de acordo com o estudioso, há uma ''vulgarização da religião''. ''Qualquer um abre uma igreja, não é mais local de encontro da comunidade.''
Questionado sobre as consequências dessas transformações, ele não quis afirmar se são boas ou ruins. ''Vivemos uma mudança sócio-cultural profunda, com novos valores e percepções sobre a vida.''(C.A.)

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