Agência Estado
Empresas concessionárias e motoristas vêem com ressalva mudanças nos futuros contratos de concessão de rodovias, propostas pelo governo federal. Pelas novas regras, que devem valer para o lote de 13 estradas federais a ser oferecido em março, os valores de pedágio serão reduzidos. Em contrapartida, diminuirá a obrigatoriedade de oferecer serviços de apoio, como ambulância e socorro mecânico.
O presidente da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR), Moacyr Servilha Duarte, diz que as medidas podem causar problemas para as concessionárias. Segundo ele, motoristas podem questionar as tarifas das rodovias federais já sob controle da iniciativa privada, mais altas do que as que serão cobradas pelo novo sistema. ‘‘Haverá desequilíbrio, pois os valores serão diferentes’’, disse.
Para Duarte, quem tiver de pagar mais vai reclamar, mas os preços, determinados pelos antigos contratos de concessão, não poderão ser reduzidos. No caso dos motoristas que pagarem menos pelo pedágio, Duarte acha que eles vão exigir um padrão de serviços igual ao das outras rodovias. As novas regras determinam que as concessionárias deverão concentrar-se na manutenção das estradas. Grandes obras viárias, como duplicação de pistas, ficariam sob responsabilidade do governo. ‘‘Isso ainda não ficou claro’’, afirmou. ‘‘Não sabemos se o governo vai primeiro concluir as obras e depois lançar a concessão ou se comprometerá terminá-las mais tarde.’’
Se vingar a segunda opção, Duarte acredita que haverá uma responsabilidade compartilhada entre o poder público e as concessionárias. Caso ocorram atrasos, ele acredita que as cobranças da população vão recair sobre as concessionárias.
Taxas O arquiteto José Maurício Nunes discorda da redução de serviços de apoio. Ele usa com frequência a Rodovia Castelo Branco, administrada pela Viaoeste. ‘‘O ideal seria mantê-los, mas com taxas de pedágio mais baixas.’’ Mesma opinião tem o advogado Rodrigo de Sá. ‘‘As concessionárias poderiam reduzir o preço dos pedágios sem diminuir as opções dos serviços.’’
Menos estrutura de apoio pode prejudicar os motoristas, na opinião do taxista José Pereira Leandro. ‘‘As pessoas precisam ter auxílio em casos de emergência’’, disse. ‘‘Reduzir a tarifa é bom, mas com socorro disponível.’’ Para Leandro, o número de postos de pedágio existentes deveria ser reduzido.
Acostumada a usar as rodovias estaduais para viajar ou a trabalho, a arquiteta Cristiane Masetti acredita que os motoristas devam ter benefícios garantidos. Para ela, há a possibilidade de a alteração na tarifa de pedágio ser mínima. ‘‘A redução precisa ser muito grande para compensar.’’
Alguns motoristas, como a estudante Fabiana Regina Albolea, aprovam o novo regime. ‘‘As tarifas hoje são absurdas e já não se faz nada para melhorar os serviços’’, criticou. Moradora de Jundiaí, ela viaja todos os dias para a capital, onde trabalha e estuda. Fabiana considera pouca a quantidade de auxílio existente e, por isso, acha justo reduzir a tarifa dos pedágios. ‘‘É válido.’’
Baseado na experiência de 13 anos como caminhoneiro, o agricultor Anésio Rodrigues, de 59 anos, acredita que os serviços de apoio raramente são usados pelos motoristas. Por isso, compensaria oferecê-los em menor quantidade e reduzir o valor dos pedágios, beneficiando mais pessoas.

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