Mudança para coibir ação de independentes
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quarta-feira, 07 de novembro de 2018
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 
O coordenador da coleta seletiva da CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização), Reginaldo Sampaio, explicou que parceria com a secretaria de Saúde de percorrer bairros da zona sul de Londrina também tem o objetivo de inibir a ação de coletores independentes de material reciclável. Isso para não prejudicar o trabalho dos catadores vinculados às cooperativas de reciclagem. "Está tendo muito roubo desse material. Antes havia os coletores informais que atuavam com carrinhos, mas agora existem alguns que fazem essa coleta informal utilizando carros e até caminhões próprios", apontou.

Sampaio não soube dizer qual a porcentagem do material desviado pelos coletores independentes, mas ressaltou que a coleta de recicláveis atualmente gira em torno de 650 toneladas por mês, quando em anos anteriores esse número chegou a 900 toneladas mensais. "Muitos deles coletam os materiais de maior valor e deixam o de baixo valor para as cooperativas", observou.
Na manhã desta terça-feira (6), quando a reportagem esteve no jardim Itapoã, encontrou um casal que atua na coleta de material reciclável de maneira independente. "Faz 12 anos que trabalho na coleta sem vínculo com cooperativas. Prefiro trabalhar assim, por conta própria. É melhor, porque nas cooperativas têm muita gente trabalhando e não paga o que a gente merece", declarou ele.
Para Francisco Caetano Bittencourt, diretor presidente da Ecorecin, que atua na zona sul, outra dificuldade é que o dia da coleta de recicláveis coincide com o de recolhimento do lixo comum. "Acredito que os moradores estão misturando o lixo comum com o lixo reciclável nestes setores. Esse trabalho é para ver se aumenta o volume de material reciclável", explicou.
ACÚMULO
O cabeleireiro Jean Kazuki da Silva, 20, que possui salão no jardim Itapoã, destacou que o trabalho de orientação é importante, porque os moradores acabavam misturando o lixo comum com o reciclável. Um dos motivos desse problema, segundo ele, é que caminhão do reciclável não passava no dia determinado. "Eu fazia a reciclagem da maneira certa quando o caminhão da reciclagem ainda passava por aqui. Mas como o caminhão deixou de passar, passamos a misturar tudo. Se passarem de novo na data marcada vou voltar a fazer a separação", apontou. Na sua opinião, a coleta na sexta-feira é melhor que na terça. "A gente acumula o material ao longo da semana e descarta na sexta-feira. Pelo menos não acumula lixo para o fim de semana."
O borracheiro Leonardo de Oliveira Martins também é outro prestador de serviço que atua na região. "Para a gente essa mudança vai ser boa. Nesse dia a gente consegue acumular mais o material que a gente junta ao longo da semana", afirmou. Ele explicou que sempre tem cuidado de seu local de trabalho. Na banheira d'água, que ele utiliza para verificar se há furos nos pneus, ele lança um copo de água sanitária para que não se torne criadouro do mosquito Aedes aegypti. No entanto ele afirmou que nos fundos de vale existe bastante lixo. "A dengue ataca todo mundo e a gente fica preocupado."
Para a doméstica Lucimar de Souza Franca dos Santos, 49, também moradora do Itapoã, a mudança no dia da coleta é boa, no entanto critica a falta de sacos verdes para os moradores. "O que dificulta é não ter distribuição do saco verde para separar o lixo. Para mim fica muito caro comprar saco de lixo, então eu misturo tudo", declarou.
NO CENTRO
A Cooperativa Coopernorth também realizará a panfletagem no centro de Londrina, no quadrilátero formado entre as avenidas Higienópolis, Juscelino Kubitschek e a rua Pio XII, sobre mudanças no dia da coleta de recicláveis. A divulgação será destinada a lojistas, síndicos e porteiros. Antes feita durante as segundas, a partir da próxima semana a coleta no setor será às sextas-feiras. O cooperado Edmilson Cerdeira acredita que essa mudança não trará grandes mudanças, e falou do prejuízo causado pelos independentes. "A gente tem 35 cooperados, mas não existem mais recicláveis para coletar. Vivemos em um Brasil que é sem lei para algumas coisas", reclamou.


