Mudança no vestibular não chegou à comunidade
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segunda-feira, 03 de setembro de 2001
Adriana De Cunto 
Tramita na Assembléia Legislativa (AL) um Projeto de Lei do deputado estadual Orlando Pessuti (PMDB) estabelecendo reserva de pelo menos 50% das vagas das universidades estaduais para alunos que tenham frequentado os ensino fundamental e médio em escola pública. O projeto já foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembléia e aguarda uma data para ir a votação.
A questão aqui não é quanto ao mérito do projeto, ou seja, se ele é justo ou injusto. O problema é que pelo menos em Londrina, sede da Universidade Estadual de Londrina (UEL), a maior instituição de ensino superior mantida pelo Estado do Paraná, a discussão ainda não ''esquentou''. Pior: muita gente, incluindo estudantes e professores, nem sabe do projeto, o de número 652, do deputado Pessuti.
Ainda não se viu lideranças e entidades manifestando-se contra ou a favor da lei. Os poucos que já se manifestaram, no caso, alguns estudantes, estão divididos. Enquanto a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) posicionou-se a favor, o Movimento dos Sem-Universidade (MSU) disse discordar da idéia. As vozes contrárias justificam que a medida não vai trazer qualidade para o ensino oferecido pela escola pública paranaense.
Em sua justificativa, Pessuti ressalta a desigualdade de competição entre os alunos que realizam o vestibular provocada pela qualidade inferior da escola pública. Ele diz que tem consciência de que a melhor alternativa para solucionar o problema é aumentar a qualidade na rede pública de ensino. Mas, na opinião dele, enquanto isso não acontece, a reserva de vagas vai minimizar a diferença e a ''discriminação imposta às camadas menos abastadas da sociedade''.
Há alguns anos houve uma mudança no vestibular da UEL, a criação do concurso de inverno, que acabou significando a divisão das vagas oferecidas (metade para os aprovados de julho e metade para os de janeiro). Naquela época, pouca gente se manifestou. A aprovação da medida veio de comerciantes e empresários da área de lazer e alimentação, que viram no vestibular uma forma de aquecer o setor, já que a UEL atrai muitos candidatos de fora.
Novamente, desta vez, a comunidade não vai se manifestar para defender ou reprovar o projeto de lei? Mesmo dentro da UEL, o silêncio vai permanecer? Pior que a crise administrativa que atinge as universidades estaduais paranaenses, alvo de reportagem da Folha do último domingo, é a crise de identidade, evidente em algumas das instituições. Hoje, já não se vê mais o envolvimento dos universitários com as questões das cidades e do Paraná, como notava-se há 15, 20 anos. Discussões como a privatização da Copel e da Sercomtel Celular passam longe dos campi. Será por que boa parte dos estudantes são de fora e encaram a vida no Paraná apenas como provisória?


