Mais de oitentas pinguins foram encontrados mortos nesta semana no litoral paranaense. Vítimas de inanição e cansaço, os animais apareceram entre as praias de Ponta do Sul e Shangrilá, numa extensão de oito quilômetros. O Centro de Estudos do Mar da Universidade Federal do Paraná (UFPR) atribui a variação climática a possível causa da morte.
A bióloga Valéria Morais, que estuda a mortandade de aves marítimas, explica que é normal a morte desses animais durante o período de migração, que vai demaio a outubro. ‘‘Os registros de aves mortas não se limitam apenas a pinguins, mas também a outras espécies, como albatrozes’’, informa.
Segundo a Valéria, nessa época do ano, as constantes frentes frias debilitam as aves que saem da Pantagônia argentina rumo a praias mais quentes no sul Brasil. No caso específico dos pinguins, eles podem ser encontrados do litoral gaúcho ao sul da costa paulista.
Valéria explica que a espécie depinguins encontrados mortos no Paraná teriam hábitos oceânicos (ou pelágicos), passando a maior parte do tempo em mar e, casualmente, indo para o litoral ou ilhas. ‘‘Com as mudanças climáticas, as condições do mar ficam instáveis e também fica mais difícil para conseguir alimentos’’, informa.
A pesquisadora diz que outros fatores também têm contribuído na morte de aves, como a poluição do mar. ‘‘Em alguns pontos do litoral, as aves mortas estão com as plumagens cobertas de óleo, deixado pelos barcos ou derramamentos’’, afirma.
Recentemente, conta Valéria, um grande número de pinguins, da mesma espécie registrada no Estado, foi encontrado morto no litoral do Rio Grande do Sul, vítima de derramamento de um petroleiro.
Valéria afirma que, mesmo com a ação da poluição, os índices de mortandades não tem se alterado desde 1992. Em média, morrem cerca de 200 animais no período mais crítico, que vai de junho a setembro. ‘‘Quem não tabalha na área fica impressionado com a quantidade de animais, mas os números não são altos’’, conta. ‘‘Agora, nos próximos dias, deve cair o registro de aves mortas, porque eles retornam para Patagônia’’, finaliza.

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