Mudança na Zona Azul é criticada
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terça-feira, 04 de agosto de 1998
Lúcio Horta 
A cobrança adiantada do cartão da Zona Azul, em Londrina, já começou a gerar reclamação. Até há duas semanas, o atendente do serviço podia receber o valor do estacionamento no momento em que o motorista fosse embora. Agora, a orientação é que ele cobre a taxa - R$ 0,60 por uma hora - antecipadamente, no momento em que o usuário estacionar o automóvel. Cerca de 40 mil panfletos já foram distribuídos orientando os motoristas.
Ontem, no começo da tarde, o técnico em telecomunicações Agnaldo Rodrigues dos Santos, 28 anos, procurou a Folha acusando um atendente do serviço - que trabalha ao lado da agência central da Caixa Econômica Federal (CEF) -, de ter cobrado a taxa mesmo sem ele ter ficado o período mínimo com o veículo estacionado. Até 15 minutos, o usuário é isento da taxa. Desci para ir no caixa eletrônico, era rápido. Ele cobrou os R$ 0,60 adiantado, paguei mas só fiquei só 10 minutos estacionado. Depois não quis devolver o dinheiro. E ainda foi mal-educado, criticou Santos. O técnico em telecomunicações diz ainda que esta não foi a primeira vez que teve problemas com a zona azul. Semana passada, afirma, estacionou o carro na Rua Pio XII (área central) e informou ao atendente que ficaria menos do que 15 minutos. Acabou passando um minuto além do tempo previsto mas o atendente não quis conversa: não perdoou o minuto de excesso e ainda informou que ele teria que pagar R$ 6,00 de multa.
Dorico da SilvaSem isençãoAgnaldo dos Santos: Usei durante 10 muintos e tive que pagar antecipadoOutro problema, segundo Agnaldo dos Santos, é a falta de troco. Ele diz que é comum o atendente da zona azul não ter troco para uma nota de R$ 10,00, por exemplo, e ainda assim exigir o pagamento. É a gente quem tem que se virar. Eles dizem que, se não pagar, leva multa. Mas não têm troco. É um absurdo.
A Zona Azul é gerenciada pela Companhia de Urbanização de Londrina (Comurb) e operada pela Escola Profissional e Social do Menor de Londrina (Epesmel), que faz o recrutamento, seleção e treinamento dos atendentes do trânsito. O serviço é regulamentado por lei municipal (número 5.733/94) e respaldado pelo novo Código de Trânsito. Atualmente, cerca de 240 atendentes e supervisores estão nas ruas da Cidade trabalhando no serviço.
O diretor geral da Epesmel, padre Lidio Roman, disse ontem pela manhã que a orientação dada aos atendentes é que a cobrança adiantada seja feita para quem vai ficar mais do que 15 minutos estacionado. Antes podia pagar depois. Mas agora, de duas semanas para cá, o cartão só é dado para quem pagou. O motivo da mudança, entre outros, é que às vezes o menino saía antes do motorista, o que podia criar confusão entre os dois, informa.
Lidio Roman destaca ainda que, no caso do usuário ficar 15 minutos ou menos, como teria acontecido ontem com Agnaldo dos Santos, a cobrança não deve ser feita. Não existe cobrança adiantada ou devolução, garante. Sobre reclamações, o diretor da Epesmel informa que são poucas, a maioria de motoristas de outras cidades que desconhecem a cobrança. Mas no geral não temos recebido queixas. A aceitação do serviço é muito grande, destaca. À tarde Roman não foi encontrado para comentar a reclamação de Agnaldo dos Santos.


