Mauricio Della Barba
De Londrina
O novo comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar, em Londrina, deverá assumir o posto no dia 9 de fevereiro. O anúncio feito ontem pelo atual comandante, o coronel Sílvio José Mazalotti de Araújo, causou reação.
Mazalotti vai deixar o posto para realizar um curso superior de Polícia, em Curitiba, que começa no próximo mês, com duração prevista para oito meses. O novo comandante escolhido para chefiar o 5º BPM é o tenente-coronel Robson Máximo Fim, ex-comandante do 4º BPM, de Maringá, e que acaba de concluir o mesmo curso que Mazalotti irá fazer.
Mazalotti, que permaneceu um ano na chefia do batalhão, avaliou como positivo o período em que comandou a PM em Londrina. ‘‘Conseguimos cumprir nossa meta e nossos objetivos que eram de dinamizar a operacionalidade da PM na região’’, disse Mazalotti. O comandante fez questão de salientar a conquista da manutenção dos índices de criminalidade em Londrina. ‘‘Tivemos em 1999 o mesmo patamar apresentado em 1998, enquanto muitas outras cidades diagnosticaram um aumento de criminalidade’’, disse.
Sobre a campanha ‘‘Londrina exige o fim da violência’’, encampada no final do ano passado pela sociedade civil organizada, Mazalotti considerou como uma ação válida. ‘‘A segurança pública se faz com ações concretas, as quais são avaliadas constantemente pela comunidade. A cidade teve seus dias de crise, em setembro passado, mas é importante ressaltar que conseguimos controlar e retomar os patamares da violência’’, explicou.
Mazalotti espera a chegada do novo comandante para a próxima semana em Londrina. ‘‘Acredito que o tenente-coronel continue com os projetos iniciados por mim na cidade’’, contou. Entre os projetos a que Mazalotti se refere, estão o da ‘‘Cidade mais segura’’, uma forma de policiamento comunitário, instaurado no Jardim Bandeirantes (zona oeste), que conta com a participação conjunta da população e dos militares na segurança local; e no projeto de integração entre a PM com a Polícia Civil.
A troca de comando do 5º BPM não agradou aos dirigentes das entidades organizadas da cidade. O presidente do Conselho Comunitário de Segurança de Londrina, Newton Moratto, questionou a falta de consenso na escolha dos comandantes da cidade. ‘‘Sempre pedimos que antes de escolher fôssemos consultados e ouvidos. A troca constante do comando e a escolha de militares que não possuem uma intimidade com a cidade quebram a sequência das atividades relativas à segurança’’, disse Moratto.
O presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Valter Orsi, também reagiu contra a troca no comando. ‘‘Londrina está servindo de trampolim para os militares. Eles chegam sem conhecer a cidade, levam três, quatro meses para se adaptar, ficam mais um pouco e já são promovidos e transferidos. Cada vez que acontece isso quem sai perdendo é a população’’, ressaltou o dirigente.
A campanha contra a violência na cidade deve voltar a ter maior divulgação a partir da segunda quinzena de fevereiro. Os coordenadores esperam se reunir na próxima semana para estudar novas idéias e propostas de reivindicação. ‘‘Uma nova peça publicitária deverá ser desenvolvida para que nossas reivindicações junto ao governo do Estado sejam atendidas’’, disse Moratto.

mockup