Mudança na PEL revolta funcionários
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segunda-feira, 15 de setembro de 1997
Edmara Michetti 
Londrina
A Penitenciária Estadual de Londrina (PEL) passa a ter nova direção a partir de hoje. O advogado Luiz Carlos Munhoz será empossado no lugar do atual diretor da PEL, Francisco Carlos Melatti. A mudança desagradou os funcionários, que prometem não entrar no trabalho hoje como protesto pela falta de esclarecimentos sobre a alteração. O comunicado oficial sobre a saída de Melatti só foi feito ontem aos 208 funcionários da unidade.
Durante todo o dia de ontem, os funcionários que terminaram seus turnos se recusavam a voltar para casa, formando uma concentração em frente à PEL. À tarde, uma comissão formada por três funcionários esteve na Câmara de Vereadores e falou sobre o descontentamento dos colegas de trabalho. Os funcionários questionam o fato de Munhoz não pertencer ao quadro da PEL.
O medo dos funcionários é que alguém de fora da unidade prejudique o andamento dos trabalhos que vêm sendo desenvolvidos e as conquistas internas. Segundo os funcionários, Melatti, o primeiro diretor da PEL que era funcionário de carreira, democratizou as relações na unidade. Ele é o primeiro diretor que atende os internos e os familiares. O relacionamento interno é excelente, em um processo que vai desde o pessoal da limpeza até a equipe de segurança, diz a assistente social Cristina Coelho. Se houver uma mudança drástica, os presos podem se rebelar, porque hoje está muito bom para todos. Aqui se trabalha dentro de uma proposta de ressocialização dos internos.
O vínculo com a unidade penal, na opinião do funcionário Vilson Machado dos Santos, é importante para a continuidade dos trabalhos. Não estamos desmerecendo o trabalho de pessoas de fora, mas um colega de trabalho conhece melhor as questões técnicas. Sem confirmações oficiais, os funcionários acreditam que a saída de Melatti esteja ligada diretamente à indicação de Cristóvão de Almeida para a chefia da segurança da PEL, vindo da Penitenciária Central do Estado (PCE). Segundo os funcionários, Melatti teria sido contrário a nomeação de um agente de fora da PEL para ocupar a função e por isso foi obrigado a deixar a direção. Nós temos 154 agentes penitenciários (140 masculinos e 14 femininos). Não é possível que não exista alguém capacitado para assumir a chefia, diz Santos.
A diretoria das unidades penitenciárias do Estado é nomeada pelo governador, através da indicação do secretário de Justiça e Cidadania, com o aval da coordenadoria do Departamento Penitenciário (Depen). O coordenador do Depen, Cezinando Vieira Paredes, garante que a troca da diretoria da PEL é meramente administrativa. Ele afirma que em julho também foram alterados as diretorias da PCE, Prisão Provisória de Curitiba e Centro de Observação Criminológica e de Triagem.
Paredes define essas mudanças como ciranda administrativa. A alteração é feita para oxigenar a parte administrativa, diz. O trabalho na direção de uma unidade penitenciária é muito tenso, porque o diretor fica ligado 24 horas por dia à unidade. É preciso dar uma refrescada e por isso é importante mudar. Ele ressalta que de forma alguma houve problema no relacionamento com Melatti.
Ele discorda que alguém de fora do quadro de funcionários possa comprometer o andamento dos trabalhos numa unidade penitenciária. Segundo ele, os diretores do Sistema Penitenciário do Estado, em sua maioria, não são funcionários. Para garantir a continuidade do trabalho, todos os vice-diretores fazem parte do quadro de funcionários da própria unidade. Uma pessoa de fora traz idéias novas, defende. O novo vice-diretor da PEL a ser empossado é Maurício José Sanches, que hoje atua como chefe da Divisão de Administração e Finanças da unidade. Não vai haver uma mudança drástica na PEL, porque todas as unidades desenvolvem seus trabalhos a partir da filosofia do Depen.
O advogado Munhoz foi escolhido para o cargo, segundo Paredes, pelo seu envolvimento com a PEL desde o início dos trabalhos, colaborando no concurso de seleção e no remanajamento de agentes penitenciários.
O atual diretor da PEL, advogado Francisco Carlos Melatti e seu vice, o também advogado Nilton Rodrigues Santana, retornam ao departamento jurídico da PEL. Desde março de 1996 no cargo, ele também foi o vice do diretor anterior, Dirceu Sodré. Negando-se a falar sobre a troca da chefia de segurança e a manifestação dos funcionários, Melatti afirma que está deixando a direção da PEL sem mágoas. Ele avalia sua permanência à frente da PEL como tranquila.
Apesar de a PEL ter recebido presos responsáveis por rebeliões em outras unidades, Melatti afirma que nesses quase sete meses não houve problemas sérios entre os detentos. Isso foi possível graças ao trabalho de respeito ao preso, buscando a sua cidadania. As oficinas profissionalizantes que atualmente ocupam mais da metade da média de 360 presos mantidos na PEL (a capacidade é para 400), e a escola interna de 1º e 2º graus tem, segundo ele, papel fundamental no equilíbrio da unidade.


