Mudança na entrega do Leite das Crianças gera reclamações
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 05 de junho de 2006
Adriana Ito<br>Reportagem Local 
Desde o dia 1º, os beneficiários do programa Leite das Crianças dos jardins Maracanã, Panissa, João Turquino, Sabará, Columbia, Londriville e parque Universitário (todos na Zona Oeste) estão tendo que se deslocar até a Escola Estadual Doutor Olavo Garcia Ferreira da Silva, no conjunto Avelino Vieira, para buscar o mantimento. Até então, a entrega estava sendo realizada mais outros três bairros diferentes: Sabará, Olímpico e Universitário.
''Antes, eu gastava menos de meia hora para pegar o leite. Hoje, eu levei mais do que isso só pra vir andando até aqui, e ainda debaixo de chuva'', compara Lucinete de Aguiar Paisca. Ela informa que deixou duas crianças, de 2 e 6 anos, sozinhas em casa, e que, quando recebia o benefício no centro comunitário do jardim Maracanã, ainda aproveitava para marcar consultas lá mesmo. Além da caminhada, Lucinete ainda precisou enfrentar na manhã de ontem outros 30 minutos de fila. ''Antes não tinha essa espera, e a gente podia buscar até as 10 horas. Deveriam aumentar o horário aqui também'', sugere, referindo-se ao restrito horário de entrega, que vai das 7 às 9 horas.
Já para Minervina Campos Diniz, a solução seria distribuir o leite nos supermercados. Ela tem 64 anos, e levou os dois netos para ir receber, de ônibus, o mantimento. ''A mãe deles trabalha, eu é que venho. Pelo menos não preciso pagar a condução. Mas ficou muito difícil vir buscar o leite.''
Atualmente, 544 famílias deveriam receber o mantimento na escola, mas, segundo Sylvio Sidnei Benini, diretor da instituição, cerca de 80 pessoas já deixaram de comparecer por três vezes seguidas, o que faz com que percam o direito ao benefício. ''Essas pessoas ou não precisavam do leite ou moram muito longe e não têm como pegar ônibus para vir buscar'', estima.
Ele afirma ser o responsável também pela fiscalização e controle dos leites que sobram naquela região da cidade. ''Antes, por conta disso, eu precisava ir a todos os postos fazer vistoria, e perdia muito tempo'', comenta. Agora, porém, o problema é a falta de estrutura na distribuição, realizada por Benini e funcionários voluntariamente. Ontem, dois alunos da própria escola entregavam os saquinhos de leite, em substituição a um funcionário que havia faltado. ''O ideal seria que voltasse a distribuição em diversos postos, e que cada um tivesse um responsável pelo benefício'', opina. Segundo o diretor, nos dias em que a fila é maior, a entrega vai até as 10 horas, mas a movimentação no local e ter que deslocar funcionários para a entrega atrapalham a rotina da escola.


