Mudança de valores culturais e sociais
Londrina - A falta de sinalização, segundo a arquiteta e urbanista Meli Malatesta, é apenas um dos pontos do que chama de "indignidade" ao usuário da mobilidade a pé. "O intenso processo de motorização pela qual o País passou nas últimas décadas e ainda passa necessita ser urgentemente revisto. É preciso retomar a mobilidade sustentável, porque não cabem mais carros e, até mesmo, transportes coletivos nas vias. Está tudo saturado. Precisamos de políticas públicas voltadas ao transporte a pé e saúde, para estimular a prática. Mas tudo passa por uma mudança total de valores culturais e paradigmas sociais."
É o que defende quem, eventualmente ou não, anda a pé por Londrina. O estudante Abenício Salvador, que chegou de Angola há três anos e meio, sabe bem o que é precisar se locomover e não ter informações ao alcance. "Hoje conheço bem a cidade. Mas no início a única maneira era perguntando e pedindo informações às pessoas nas ruas. Já visitei várias cidades em outros países e, no Brasil, há uma grande falta de sinalização com orientações aos pedestres. Informação nunca é demais", comenta.
Habilitada há muitos anos como motorista, a dona de casa Maria Aparecida Gehardi diz que não sente falta de sinalização quando anda a pé, justamente, por ter um histórico de orientar-se com o carro. "Já conheço bem os endereços dos locais. E, quando não sei, pesquiso na internet. Mas o fato de ter nascido e sempre morado na cidade facilita muito, o que não acontece com pessoas que vêm de fora", diz, lembrando que a cidade recebe muita gente de outras localidades em busca de tratamentos médicos e compras. (M.T.)





