Um dia, calor e tempo seco. No outro, frio e chuva. As mudanças bruscas de temperatura típicas desta época do ano comprometem o sistema de defesa do organismo e reavivam as preocupações com a pneumonia, doença aguda do trato respiratório inferior que é a segunda maior causa de internação no Brasil. Dependendo da resistência do paciente e do tipo de bactéria, pode apresentar uma rápida evolução e, em alguns casos, até levar à morte.
''É preciso ficar alerta sempre que um sintoma respiratório, com febre e tosse, não passar depois de quatro dias'', alerta o médico pneumologista Denison Noronha Freire, ressaltando que é muito importante iniciar o tratamento antes que haja complicações, como derrame pleural (popularmente conhecido como água no pulmão), que necessita de internação.
Segundo Freire, a maioria dos casos registrados é adquirida na comunidade e é causada pela bactéria chamada pneumococo, mas a pneumonia ou inflamação no pulmão também pode ser originada por vírus (cerca de 10% dos casos) e por agentes atípicos (aproximadamente 20% dos casos). A pneumonia atípica é chamada de mycoplasma, e ocorre em comunidades fechadas, como orfanatos e quartéis. ''Os sintomas são de gripe, com predomínio de tosse seca e persistente por aproximadamente três semanas. O médico só consegue diagnosticá-la através de raio-x do pulmão.''
De maneira geral, a pneumonia pode ser adquirida de duas formas, de acordo com o médico: aspirando microroganismos (bactérias) encontrados na orofaringe ou no decurso de um quadro gripal prolongado. ''Por isso é preciso evitar a gripe, ficando longe das pessoas que estão com o vírus, e evitar o contato com pessoas com sintomas respiratórios de forma geral'', recomenda. Freire explica que existe vacina contra a pneumonia, mas a prevenção é apenas para o pneumococo e a eficácia é maior entre os adultos jovens. ''Mesmo assim, recomendamos também para os idosos''. O pneumologista diz que apenas uma dose, repetida após cinco anos, é suficiente.
Embora necessite de atenção especial em qualquer faixa etária, é entre os idosos (acima de 65 anos) que a doença é mais preocupante. ''Em 2001 foram registrados 30 mil óbitos por pneumonia. 60% das vítimas eram pessoas acima de 65 anos e 12% crianças abaixo de cinco anos'', revela o médico. Uma das grandes preocupações, no caso dos idosos, é a descompensação de doenças pré-existentes, como diabetes e cardiopatia.
''Enquanto no adulto jovem a doença se manifesta principalmente através de tosse, expectoração, febre beirando os 38 graus, falta de ar e dor toráxica, no idoso o mais frequente é confusão mental, prostração e descompensação de problemas de saúde já existentes.'' Alcoólatras e fumantes também devem ficar mais alertas. O médico explica que o álcool e o cigarro comprometem o sistema de defesa e de limpeza da árvore traquio-brônquica, deixando o paciente mais suscetível a uma complicação.
Em 90% dos casos, as vítimas de pneumonia são tratadas em casa, com antibióticos. O risco de bactérias altamente agressivas, porém, nunca deve ser descartado. Freire lembra que pode acontecer do médico pedir um exame raio-x de manhã e nada ser detectado e, horas depois, um novo exame diagnosticar a doença. ''As bactérias passam por mutação genética, frequentemente aparecem subtipos, por isso a doença continua sendo um desafio.''

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