Moradores e comerciantes da Rua Humberto Piccinin, na Vila Brasil, Região Central de Londrina, estão revoltados com a súbita alteração no sentido da via. No último dia 18 de julho, a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) tornou a rua mão dupla, sem consultar a comunidade.
O espaço, que antes abrigava dois carros num único sentido, agora tem que abrigar dois veículos em direções opostas. Moradores afirmam que motoristas estão acostumados ao antigo funcionamento da via, aumentando o risco de acidentes.
A via começa na Avenida Duque de Caxias e tem apenas dois quarteirões - é sem saída. Outro acesso se dá pela Rua Uruguai, que é ponto de passagem de todo o trânsito que vem da Zona Leste da cidade. ''Não tem onde estacionar e na hora de pico, na saída dos colégios, a fila de carros da Rua Uruguai chega até a Rua Bolívia, esperando o sinaleiro abrir'', contou a comerciante Maria Lopes, que vive no bairro há 10 anos.
Desde a mudança ela contata, diariamente, a Prefeitura, mas nunca obtém resposta. No sábado passado, junto com outros moradores da região, Maria coletou assinaturas dos motoristas que estavam parados no semáforo que dá acesso à Avenida Duque de Caxias. Foram duas horas de abordagens que resultaram em quatro folhas de papel almaço preenchidas. ''É unânime, ninguém aprova esta mudança'', constatou a comerciante Eliane Sales, que mora na Vila Brasil há cinco anos.
Segundo o presidente da associação de moradores do bairro, Daniel Ribeiro, ninguém foi consultado sobre os impactos que a implantação da mão dupla poderia causar na rua. Ele informou ainda que a pintura das faixas de segurança e a colocação das tartarugas só foi concluída anteontem. ''Aconteceu tudo do dia para a noite e o comércio foi prejudicado. Além disso, é um perigo para as crianças que voltam do colégio e precisam atravessar a rua'', opinou.
Sem respostas das autoridades competentes, os moradores pretendem ir até a prefeitura na próxima segunda-feira para cobrar uma explicação. ''Não vamos sair de lá enquanto não formos atendidos'', prometeu Maria Lopes.
O presidente da CMTU, Mauro Yamamoto, explicou que a mudança aconteceu a pedido de uma instituição de ensino, que tem uma das saídas de estacionamento na Rua Humberto Piccinin. ''Antes os usuários tinham que fazer a volta pela Rua Uruguai para poder acessar a entrada do estacionamento'', relatou.
Ainda segundo Yamamoto, a medida não interfere no fluxo de veículos, apesar da reclamação dos moradores, já que os horários de pico são justamente o momento de entrada e saída dos estudantes da faculdade.

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