Mudança de nome da Ayrton Senna gera polêmica
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sexta-feira, 26 de março de 2004
Janaina GarciaReportagem Local 
As listas telefônicas e uma visita rápida ao local não deixam qualquer margem de dúvidas: a Avenida Ayrton Senna, futuro prolongamento da Avenida Maringá, na Zona Sul de Londrina, não é uma área inabitada. Desconhecido até ontem à tarde pelo autor do projeto de lei determinando a mudança de nome para Avenida Nassin Jabur, o vereador Beto Scaff (PFL), o fato irritou bastante um dos moradores da área. A proposta de mudança foi aprovada pela Câmara na terça-feira e deve ir para sanção do prefeito Nedson Micheleti.
Aposentado e dono de uma chácara na Ayrton Senna com quatro casas nas quais moram mais 11 membros de sua família , Geehrter Sathler Rosa, de 69 anos, criticou o fato de não ter sido ouvido sobre a mudança de nome da via, onde reside há pelo menos 30 anos. ''Como o poder público nos enxerga quando é para cobrar impostos? É um absurdo'', disse.
Com um terreno de aproximadamente 500 metros, Rosa é um dos proprietários que farão doações para a prorrogação da Maringá até a Rodovia Celso Garcia Cid (PR-445), cortando a Avenida Madre Leônia Milito, além de ajudar com R$ 270 mil para a parte asfáltica. Contudo, ele avisou que ainda não assinou o contrato de doação. ''É muita falta de respeito com a gente dizer que ninguém mora aqui e que, portanto, não se precisa de anuência de morador para decidir pela troca de nomes. Tenho família no País todo e terei que ligar para cada um dizendo que mudei de endereço?'', questionou, aborrecido. Ele é vizinho de outras chácaras e de um edifício residencial de 24 andares,
O aposentado faz referência a Scaff, que descartou a necessidade de se consultar moradores pelo fato de eles supostamente não existirem na Ayrton Senna. Ontem à tarde, entretanto, Scaff reconheceu não ter feito visitas ao local antes de assinar o projeto de lei 50/2004, de fevereiro, em que consta que a via não tem ''nem uma residência nem qualquer tipo de edificação, seja residencial ou comercial, e, via de consequência, nenhum morador''.
''Fui pêgo de surpresa, pois isso me havia sido passado pela assessoria legislativa da Câmara'', alegou o vereador. Mesmo assim, ele adiantou que verificaria a situação para tomar providências. ''Se a alteração causar transtornos, pode ser revertida sem problemas'', garantiu.


