''Eu durmo bem todos os dias, em qualquer hora e mesmo comendo antes de dormir''. Para grande parcela da população que sofre com insônia, a afirmação da auxiliar de departamento pessoal, Jessica Nayane Fustino, 21 anos, soa como uma realidade quase inalcançável diante das noites, frequentemente, mal dormidas.
Esse é o caso da dona de casa Bereniz Martins da Silva, 62 anos, que revela não conseguir pegar no sono e passar várias horas da madrugada acordada, durante dias seguidos, há mais de um ano. ''Eu deito e simplesmente não consigo me desligar das preocupações. Minha mente não relaxa e o sono não vem'', conta. O resultado surge no dia seguinte. ''Você fica cansado e irritado, parece que o dia não rende'', afirma.
A neurologista do Hospital Federal de Bonsucesso, do Ministério da Saúde, Luciana Pamplona, confirma que a doença interfere no dia a dia da pessoa. ''A gravidade maior é que a pessoa perde muito a capacidade de concentração durante o dia porque ela está sonolenta. Ela trabalha e estuda mal. Não aproveita tudo que poderia aproveitar. Passa a ter irritabilidade, ficar de mau humor'', reforça.
Entretanto, Luciana esclarece que se o paciente estiver disposto a mudanças, a substituição de hábitos pode trazer um importante benefício para a melhora na qualidade do sono e, consequentemente, na qualidade de vida da pessoa.
Hábitos como assistir televisão na cama, não fazer exercícios físicos, tomar muito café e comer muito chocolate durante o dia podem contribuir para o aparecimento da insônia. Problemas emocionais e doenças como hipertensão, diabetes, obesidade e problemas na tireoide também podem desencadear a doença.
A especialista dá algumas dicas de como a pessoa pode combater a insônia. ''O horário para dormir e para acordar pela manhã é importante. Tem que manter certa regularidade. O ambiente onde nós dormimos deve ser sempre arejado com uma temperatura agradável, escuro e silencioso na medida do possível'', recomenda. ''A cama deve ser usada apenas para dormir e para relações sexuais e não como escritório, levando laptop, livros'', acrescenta.
Mesmo sem saber das dicas da neurologista, o aposentado Antonio Carlos Moraes Neto, 59 anos, conta que procura seguir à risca a regularidade no horário de ir para cama e de levantar. ''Eu sempre durmo às 23 horas e acordo às 6 horas. Além disso, não levo trabalho para cama. Sei que lá é meu lugar de descanso e respeito isso. Acho que é o que tem me garantido boas noites ultimamente'', conta. ''Eu só perco o sono mesmo quando estou preocupado com algum filho, fora isso durmo muito bem. Acho que para conseguir relaxar e decansar é primordial não ter uma vida desregrada e os pensamentos em Deus.''
Luciana orienta ainda que as refeições perto da hora de dormir devem ser sempre leves: uma fruta, um iogurte ou um lanche rápido. Os exercícios físicos devem ser feitos até duas horas antes da hora de dormir e computadores e videogames até uma hora antes.
Dicas que a massoterapeuta Litiere Ferreira, 35 anos, afirma já conhecer, mas ainda não colocou em prática. ''Embora eu me alimente bem, ainda tenho muitas crises de insônia e sei que se evitasse situações estressantes e fizesse mais atividades físicas, com certeza, teria noites de sono bem melhores'', diz. (Com informações da Agência Saúde).

Imagem ilustrativa da imagem Mudança de hábitos pode evitar insônia
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