O alto índice de incidência das doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) entre os brasileiros está relacionado à introdução de alimentos ricos em gordura, sal e açúcar no cardápio cotidiano da população. Nos últimos 30 anos, as pessoas estão substituindo o tradicional ‘‘arroz com feijão, carne, salada e frutas’’ por sanduíches, alimentos industrializados e doces, abrindo espaço para o aparecimento de doenças cardiovasculares, câncer, diabetes e osteoporose.
Uma pesquisa da nutricionista África Isabel Neummann, da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo e professora da Faculdade Anhembi-Morumbi, realizada em Campinas (SP), mas que reflete a realidade brasileira, indica que entre 1974 e 1996 houve diminuição no consumo dos alimentos tradicionais. Em contrapartida, verificou-se aumento de 700% no consumo de cerveja, seguida por elevação, em 500%, na preferência por refrigerantes. Salsichas, embutidos e salgadinhos em pacote também passaram a fazer parte do dia-a-dia, estimulando a obesidade.
Este contexto também redireciona a preocupação com relação à alimentação infantil. ‘‘A desnutrição ainda existe em focos isolados, mas a obesidade, que atinge 30% da população, é muito mais preocupante. Sua incidência é alta entre as classes menos favorecidas, que são estimuladas pela mídia a consumir alimentos gordurosos e pobres em nutrientes’’, ressaltou. ‘‘Para solucionar o problema, basta equilibrar as refeições aumentando o consumo de frutas, legumes, verduras e peixes, considerados alimentos protetores da sa© úde’’, recomenda.

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