Londrina - Não é de hoje que o comércio de ferro-velho em Londrina, principalmente os agrupados ao longo da Avenida Dez de Dezembro (zona leste), entram em discussão e atrito com demais comerciantes ou mesmo administração pública por conta de problemas como sujeira, barulho ou foco de dengue. Uma opção que começou a ser discutida ainda na administração passada, quando iniciaram-se as obras para revitalização do Marco Zero, foi a mudança de local dos comerciantes do setor, mas nunca houve uma proposta formal ou concreta sobre o assunto.
Alguns proprietários de ferros-velhos se reuniram na Câmara Municipal na última semana com o prefeito Alexandre Kireeff e o presidente da Casa, vereador Rony Alves, para novamente discutir a ideia da mudança. Ainda aguardando novas reuniões com a administração, a reportagem procurou alguns proprietários e outros comerciantes da avenida, e constatou que a possível mudança ainda divide opiniões.
A opção que está sendo estudada pela prefeitura atualmente é transferir os cerca de 70 comerciantes do local para um terreno de aproximadamente 200 mil metros quadrados fora da área central. Segundo o presidente do Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Codel), Bruno Veronesi, ainda não existe nenhuma área separada para essa finalidade. "Estamos analisando a cidade para ver onde eles poderiam se encaixar melhor. Tem que ser uma área grande, com facilidade de transporte para caminhões, mas não conseguimos definir isso somente em uma reunião", afirma. O secretário de Fazenda, Paulo Bento, acrescentou que o local tem que ser "razoavelmente comercial". "Não adianta colocá-los em um local afastado, porque eles perderão clientes. Precisamos fazer nova reunião, avaliar bem, mas queremos investir mesmo nessa ideia", alega.

TERRENOS VAZIOS
Segundo o empresário Vladmir Martins Evasita, dono da Laco Peças, que participou da reunião e é favorável à mudança, se 50% dos comerciantes concordassem em mudar as lojas de local, não haveria prejuízo na clientela. "O problema é que aqui 90% das pessoas pagam aluguel do terreno ou da loja. Agora, com essas melhorias que a administração pediu para a gente fazer, acabamos gastando em coisa que não é nossa. Se todos forem para outro local, a clientela acompanha", acredita. A prefeitura pediu, baseada no Novo Código de Posturas do Município, que os comerciantes adequassem o recuo dos estabelecimentos para cinco metros, cobrissem as estruturas - para diminuir risco de focos da dengue - e as murasse adequadamente, entre outras mudanças. A proposta de Evasita é que a prefeitura financie terrenos de até mil metros quadrados nessa nova área para os comerciantes. "Assim substituímos o aluguel por uma coisa que é nossa." A preocupação dele, no entanto, é que não seja mais disponibilizado alvará para montagem de lojas de autopeças nos imóveis e terrenos que ficarão vazios na avenida. "Nesse caso teríamos problema, isso não pode ser permitido. Pedi que o prefeito fizesse um decreto quanto a isso."

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