O presidente da Associação de Pais e Amigos dos Deficientes Auditivos de Londrina (Apadal), José Luiz Alves Nunes, explica que a Libras tem mecanismos gramaticais próprios, distintos do português. É uma língua extremamente objetiva e que valoriza os verbos, que muitas vezes aparecem no início das frases, o que remete diretamente à origem inglesa do código.
''Aprender Libras é como aprender inglês, espanhol. Com alguns meses de aula, você tem noções básicas da língua, mas para dominá-la de fato você precisa de uns três anos de contato com a comunidade surda'', diz Nunes. Ele afirma que já existem mecanismos legais para a inclusão social do surdo, basta começar a aplicá-los.
A presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência (CMDPPD), Martinha Dutra, concorda e cita que o Ministério Público pode ser acionado caso surdos se sintam prejudicados por prestadores de serviços que não tenham funcionários que saibam Libras. ''A figura social do surdo é sempre vista sob uma concepção assistencialista, que prega que tem que oferecer alguma gratuidade, uma ajuda. Mas a questão é mais profunda e diz respeito à cidadania. Essa mudança de consciência é algo que se faz aos poucos. A comunidade surda precisa cobrar mais para que as leis sejam cumpridas'', opina.
A Apadal vem tratando como prioridade a difusão da Libras. Além dos ofícios enviados à prefeitura para requisitar que servidores municipais que lidam diretamente com o público aprendam a língua dos sinais, a instituição está com inscrições abertas para um curso de Libras, prioritário para profissionais da área de ensino, mas aberto à comunidade em geral. Interessados devem entrar em contato pelo telefone (43) 3348-0999. (F.G.)

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