Mudança de adensamento é criticada
A transferência do adensamento populacional para novos eixos estruturais de Curitiba, entre eles o trecho urbano da BR-116, e a implantação da primeira linha de metrô da cidade nessa região foram os pontos que geraram as maiores polêmicas no debate de ontem, na Universidade Federal do Paraná (UFPR). ‘‘Esses novos eixos podem prejudicar o eixo Norte-Sul, que vem sendo implantado há 25 anos e ainda não está totalmente consolidado, como por exemplo na Avenida Paraná na região do Santa Cândida’’, opinou o professor Luis Henrique Cavalcanti Fragomeni.
Pela proposta que está sendo discutida haveria um incentivo para novas construções em áreas da BR-116, Avenida das Torres, Wenceslau Braz e outras. Um dos instrumentos de estímulo é a possibilidade de transferência de potencial construtivo para essas áreas. Isso descentralizaria o desenvolvimento da cidade. O transporte de alta capacidade, chamado de metrô elevado, seria implantado em um trecho de 27 quilômetros da BR-116.
Para o professor Fragomeni, a opção pelo metrô na BR-116 deve favorecer a integração metropolitana. ‘‘Isso é muito polêmico porque falam tanto da necessidade de integrar Curitiba a outros municípios, mas a Comec não tem um projeto nesse sentido.’’ O professor lamentou os efeitos negativos que novos eixos de adensamento podem ter nos bairros. ‘‘O projeto desrespeita a história dos bairros e pode tirar-lhes as características particulares.’’
A comissão da UFPR que analisa a lei de zoneamento possui uma proposta alternativa para o metrô de Curitiba. Por esta proposta, o traçado seguiria a antiga linha férrea que passa pela capital e municípios vizinhos. ‘‘Seriam 50 quilômetros de metrô interligando os municípios conurbados a Curitiba e com um custo de 10% do que está previsto para o sistema na BR-116 e parece que o Ippuc não chegou a analisar a idéia.’’
Os vereadores Tadeu Veneri (PT) e Jorge Samek (PT) participaram do debate na UFPR. Samek foi o maior crítico da proposta. ‘‘Metrô é o melhor sistema de transporte coletivo urbano, mas também é o mais caro, por isso tem que ser implantado em regiões já adensadas e não às margens de uma rodovia, como prevêem os técnicos do Ippuc’’, afirmou. ‘‘A proposta atual é muito tímida, deveria haver uma revisão geral do plano diretor e não uma nova versão da lei de zoneamento.’’

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