MUDANÇA COMPORTAMENTAL - Relacionamentos extraconjugais
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 20 de setembro de 2011
Marcos Roman e Micaela Orikasa <br> Reportagem Local 
O desejo de sair da rotina conjugal tem evidenciado mudanças comportamentais e atraído holofotes para alternativas adotadas por casais do mundo todo. Prova disso é que o conceito de (in)fidelidade ganhou um novo debate após o lançamento de sites especializados em relações extraconjugais e pela presença de clubes de swing que deixaram de ser exclusividade em grandes capitais e chegaram ao Interior.
Algumas páginas virtuais dedicadas exclusivamente a pessoas casadas que buscam aventuras sexuais sem a intenção de se apaixonar ou pedir o divórcio vêm sendo visitadas por milhões de pessoas e se tornaram um fenômeno em diversos países, inclusive no Brasil.
Um exemplo é o site Ohhtel, que com apenas três meses ''no ar'' já cadastrou 150 mil brasileiros, sendo 48 mil mulheres e 102 mil homens. Os paranaenses representam cerca de 8 mil usuários, ficando atrás de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Somente nos Estados Unidos, país onde o serviço foi criado em 2009, esse número já ultrapassou 1,4 milhão de internautas.
Já as casas de swing são procuradas por casais que querem se aventurar juntos, mas com a possibilidade de trocar de parceiro(a) e mexer com o imaginário tanto do homem quanto da mulher. Para muitos frequentadores destes clubes, a intenção é ''apimentar'' a relação.
Para a especialista em sexualidade humana Lucianne Fernandes, não existe moral ou amoral quando o assunto é sexo praticado em consenso por pessoas adultas e conscientes. ''A sexualidade tem várias vertentes. Cada casal faz seus pactos quanto às alternativas que serão adotadas para sua satisfação sexual. As dúvidas e os julgamentos ficam por conta das outras pessoas que têm expectativa em relação à sexualidade alheia'', afirma.
Quanto à motivação em buscar uma aventura fora do casamento, Lucianne observa que é diferente para homens e mulheres. ''Por uma questão cultural, o homem nunca busca envolvimento sentimental quando tem uma aventura sexual e pode fazer isso mesmo quando a relação vai bem e ainda ama a esposa. Já a mulher só trai quando sente que o casamento ou o namoro está muito desgastado ou quando não se sente valorizada por seu parceiro. Ao contrário do homem, a mulher busca romantismo quando trai'', afirma.
Avassalador
Entretanto, a pessoa que busca uma aventura extraconjugal pode colocar em risco a relação. ''A traição é avassaladora para quem é traído e abala todas as estruturas do casal'', afirma a especialista, ao ressaltar que há casais que conseguem superar o deslize do cônjuge e retomar o casamento. ''É como um vidro que se quebra, mas que pode ser 'colado'. É um processo difícil, mas não impossível'', declara.
Ao contrário da traição, que pode prejudicar o relacionamento, do ponto de vista psicológico o swing é avaliado simplesmente como um estilo de vida. ''A troca de casais não pode ser considerada traição, pois neste tipo de situação os cônjuges buscam juntos uma nova forma para satisfazer seus desejos dentro da própria relação. É um estilo de vida adotado por determinados casais que podem levar esse hábito durante o tempo que desejarem sem prejudicar o relacionamento por causa disso'', avalia a especialista.


