Muda perfil de profissões mais procuradas
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sexta-feira, 24 de novembro de 2006
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
O Vestibular 2007 da Universidade Estadual de Londrina (UEL), que terá a lista de aprovados na primeira fase divulgada nesta sexta-feira, trouxe um retrato das mudanças ocorridas no mercado de trabalho nos últimos anos. Profissões tradicionais, como Odontologia, Engenharia Civil e Direito, já não ocupam o topo da lista das mais procuradas. Em compensação, Design Gráfico foi o segundo curso mais concorrido, com 33,08 candidatos por vaga (sistema universal), perdendo apenas para Medicina, que parece ser o único que não enfrenta crise, com sua concorrência de 55,3 para um.
Na sequência, a preferência dos candidatos foi direcionada para os cursos de Comunicação Social, com concorrência de 25,79 para um (matutino), Design de Moda, com 20,33 para um, e Ciências da Computação, com 19,71 candidatos por vaga. Um fenômeno natural, na opinião da psicóloga Celi Lovato, que trabalha com orientação vocacional no Colégio Maxi. Segundo ela, é natural que cursos novos, principalmente aqueles na área de tecnologia, agucem a curiosidade dos jovens e sejam bastante procurados nos primeiros processos seletivos.
''Os jovens de hoje em dia estão sofrendo mais para escolher uma profissão, eles se cobram muito, estão mais informados, e ao mesmo tempo o leque de opções é cada vez maior.'' A saturação das profissões tradicionais também influencia na procura por novas alternativas, observa Celi.
A psicóloga lembra ainda que vários cursos surgiram como especialidades de outros já existentes, como se fossem desdobramentos das antigas profissões. ''Nesta lista podem entrar, por exemplo, aqueles cursos mais rápidos e específicos, como os tecnológicos e sequenciais.''
Apesar das transformações do mercado e do grande leque de possibilidades existentes hoje em dia - são 123 opções de bacharelados, 69 cursos superiores de tecnologia e três opções na carreira militar, segundo o mais recente Guia do Estudante, da Editora Abril - o que mais deve pesar na hora da escolha, de acordo com a psicóloga, ainda é a vocação. ''O maior medo dos vestibulandos é entrar em um curso e se arrepender depois, daí a importância do jovem escolher o curso por ele mesmo, e não baseado no que a família quer ou no status que a profissão tem na sociedade'', recomenda.
O reitor da UEL, Wilmar Marçal, também vê a mudança na preferência dos candidatos como parte de um ciclo evolutivo natural. ''No passado, as áreas médicas e jurídica eram emblemáticas no seio familiar. Hoje há uma consciência de que as profissões têm um campo eclético, que acompanha o desenvolvimento tecnológico e científico de cada região'', avalia o reitor.
A UEL oferece 42 opções de cursos de graduação, um número que tão cedo não deve ser alterado. ''Não temos planos de lançar novos cursos por falta de condições físicas e estruturais. Sabemos que o crescimento é importante, mas hoje temos que priorizar a reposição do quadro de professores, que está defasado.'' Segundo Marçal, parte da demanda será suprida com os mestrados profissionalizantes, que serão lançados pela instituição em 2007.
Entre os candidatos a uma vaga nos cursos menos tradicionais da UEL está Larissa Alvanhan, de 18 anos, que prestou para Artes Cênicas. Ter uma profissão nesta área é um sonho antigo de Larissa, que já é formada na Escola de Teatro de Londrina. ''É minha paixão'', revela. A jovem atriz afirma não ter encontrado resistência por parte dos familiares. ''Eles entenderam que a gente tem que fazer o que gosta. Não adianta fazer um curso só porque é mais valorizado pela sociedade e ser um profissional frustrado.''


