Muçulmanos são sepultados apenas com pano branco
PUBLICAÇÃO
sábado, 09 de agosto de 1997
Da Redação 
Arquivo FolhaConfortoO sheik Ahmad Mahairi: orações para pedir perdão a AllahEm Londrina, a única religião que possui um cemitério exclusivo para o sepultamento de seus seguidores é a islâmica. Em funcionamento desde 1988, o Cemitério Islâmico é o menor da Cidade e fica na avenida do Café, no bairro Aeroporto. Quando morre um muçulmano, o corpo dele passa obrigatoriamente pela Mesquita Rei Faiçal - próxima do cemitério - para o funeral.
Depois de liberado pela Acesf, ele é lavado, perfumado e envolto em um tecido branco, sem nenhum outro tipo de roupa, pelos seus familiares e amigos. Na mesquita, o sheik Ahmad Saleh Mahairi coordena o ritual de despedidas: O funeral é o mais rápido possível, não demorando mais de dez minutos. As orações são para Allah perdoar o morto pelos seus pecados terrenos.
Os cerca de 1,3 bilhão de seguidores do islamismo - religião nascida na Arábia Saudita e hoje presente em mais de 45 países - não cultuam a cruz, as velas, flores e nem santos. O corpo do falecido é enterrado sem caixão em direção a Meca, cidade da Arábia Saudita considerada sagrada pelos muçulmanos porque nela Abraão construiu a primeira mesquita há mais de 5 mil anos.
Sem roupas, sem sapatos, e apenas enrolado em um pano branco, o morto fica mais confortável, pelo contato direto com a terra, e a alma mais feliz. É a nossa volta à terra, sem empecilhos, como está previsto em nosso livro sagrado, o Alcorão, explica Ahmad Saleh Mahairi. Ele lembra que os familiares e amigos do falecido choram a dor da despedida; e que a morte deve ser encarada como uma dura lição sobre a importância da vida. No Cemitério Islâmico também não é permitida a construção de túmulos e capelas.


