Muçulmanos fazem visitas semanais
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sábado, 01 de novembro de 1997
Alexandre Sanches Londrina 
Dorico da SilvaNem luxo,
nem velas
O único
cemitério
islâmico
do Paraná
fica em
Londrina;
conforme
explica
o sheik
Ahmad Mahairi,
os corpos
envoltos em
mortalhas são
enterrados
diretamente
na terra;
não há
sinais de
ostentação
nas sepulturasA comunidade islâmica de Londrina é a única do Paraná a ter um cemitério próprio, onde os mortos são sepultados seguindo a tradição e as normas da religião. Em Curitiba e em Foz do Iguaçu existem áreas para o sepultamento islâmico, mas dentro de cemitérios tradicionais. Sem túmulos e ornamentos, os islâmicos são sepultados diretamente na terra, envoltos numa mortalha branca.
Os islâmicos têm uma relação muito íntima com a morte, pois a consideram como uma cena da vida terrena. De acordo com o Alcorão (livro sagrado dos muçulmanos), Deus dialogou com as pessoas e mencionou a morte como uma prova de que Ele existe. Quando visitamos o cemitério, lembramos dos mortos, conversamos com eles e pedimos perdão, explica o supervisor e chefe religioso islâmico na região Norte do Paraná, sheik Ahmad Saleh Mahairi.
Flores e velas, durante as visitas aos cemitérios? Nem pensar. Segundo o sheik Ahmad, a religião islâmica não permite que se faça nada para reverenciar os mortos. Podemos fazer algum sacrifício em nome do morto, mas não para eles. Em vez de levarmos velas, flores ou ornarmos as sepulturas com luxo, doamos este dinheiro em nome do morto a pessoas pobres, explica.
O profeta Maomé (Mohamad) visitava os cemitérios todas as quintas-feiras e costumava, ao concluir cada sepultamento, permanecer mais um pouco para aconselhar os presentes que pedissem perdão ao seu irmão, e que ele se firmasse em espírito, pois ele agora estava prestando contas a Deus. O sheik afirma que, através das visitas aos cemitérios, os islâmicos lembram da morte e eliminam o orgulho e o poder, tornando esta atitude uma forma de autopenitência, pois serão ressuscitados no juízo final.
Com a vida moderna e a correria do dia-a-dia, as pessoas acabam não cumprindo a sua parte. Por isso, aproveitamos o Dia de Finados para pagar um desses dias não visitados, justifica. Durante a visita, são lidos trechos do Alcorão, o Surat Yassin, que lembra da morte e do poder de Deus. Também costumam ouvir o que o líder da comunidade vai falar para as crianças.
A única restrição de visita aos cemitérios é em relação às mulheres com problemas emocionais. Na nossa religião a mulher não é obrigada a visitar os cemitérios. Ela vai se quiser. No entanto, as mulheres com problemas de coração são aconselhadas a não irem aos cemitérios. É melhor que fiquem em casa, argumenta.
No calendário islâmico há duas festas anuais, onde os mortos são lembrados. A primeira, após o Ramadã (período de 30 dias de jejum). A outra festa é o Dia de Sacrifício, período em que celebram o dia em que o profeta Abraão foi imolar o filho como sacrifício em nome de Deus. O costume islâmico, após as festas, é comemorarmos com os vivos e os mortos.
Hoje, a partir das 9h30, a comunidade islâmica do Norte do Paraná estará reunida no Cemitério Islâmico, numa cerimônia especial para reverenciar os mortos. A cerimônia, presidida pelo sheik Ahmad, será no saguão de entrada do cemitério. Em seguida, as famílias visitarão as sepulturas.


