MST se opõe à desocupação de áreas
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segunda-feira, 18 de agosto de 1997
Marcos Zanatta Maringá 
Marcos NegriniResistênciaAcampamento da Fazenda Dois Córregos, que deveria ser desocupada; líder do
MST afirma que é necessário manter pressão por desapropriaçõesAs 200 famílias de sem-terra que ocupam as fazendas Dois Córregos, Santa Amélia, Água da Prata e Santa Ana não aceitaram a proposta do Incra e do governo estadual de deixar as áreas invadidas para montar acampamento na fazenda São Sebastião, em Santa Cruz do Monte Castelo (103 quilômetros de Paranavaí). O projeto marcava o lançamento do programa Campos da Paz, que previa desocupação de áreas produtivas e transferência para assentamentos.
A intenção do Incra e do governo do Estado é fazer um acampamento provisório na São Sebastião, onde as famílias vão aguardar a identificação de novas áreas passíveis de desapropriação. Há 15 dias, o Incra vem realizando vistorias na região de Paranavaí.
A fazenda São Sebastião tem 467 hectares e está sendo negociada por R$ 770 mil. Com a manobra, o governo tenta um plano de descompressão para cumprir de imediato parte das reintegrações de posse já emitidas pela Justiça, beneficiando proprietários que têm áreas ocupadas.
Pelo menos sete áreas, defendidas pela assessoria jurídica da União Democrática Ruralista (UDR), têm prazo até o próximo dia 28 para ser reintegradas. A resistência dos sem-terra complica ainda mais o clima de tensão no município de Querência do Norte, onde estão 14 das 16 áreas ocupadas na região.
Um dos líderes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) em Querência do Norte, Paulo de Marqui, disse ontem à Folha que as famílias não pretendem ir para o acampamento provisório porque acreditam que agindo de acordo com a vontade do Incra, o governo não vai se empenhar em desocupar novas áreas. Já pressionando, o governo demora para fazer a reforma agrária. Se aceitarmos o acampamento provisório não seremos mais atendidos, afirmou Marqui.
As 100 famílias de sem-terra acampadas na Fazenda Santa Amélia, em Querência do Norte, deixaram a área ontem e seguiram até a Fazenda Vera Lúcia, no mesmo município. A retirada das famílias faz parte de acordo verbal feito com o proprietário da fazenda Santa Amélia, de 360 alqueires.
Marqui disse que somente as cerca de 100 famílias que estavam na fazenda Santa Amélia decidiram mudar para a fazenda Vera Lúcia, pois o proprietário já demonstrou interesse em negociar com o Incra. As outras três fazendas vão continuar ocupadas até que o Incra defina áreas para assentamento.
Marchi comentou acusações feitas contra o movimento. São fofocas de gente que não gosta dos sem-terra. O fato é que nós estamos trazendo progresso para a cidade (Querência). Nessas áreas (Noroeste), onde a bovinocultura domina, a pobreza é muito grande. O que nós queremos é plantar e onde existe agricultura existe riqueza.
UDRO presidente da União Democrática Ruralista (UDR) na região de Paranavaí, Marcos Prochet, disse ontem à Folha que a entidade não abre mão da desocupação imediata das fazendas invadidas pelos sem-terra em Querência do Norte. A entidade já sabe que o Estado não terá condições de cumprir o prazo exigido para a desocupação.
Não tem mais o que esperar, cada fazendeiro vai lutar pelo seu direito conforme achar melhor, mas todos fundamentados na lei, afirmou Prochet. Para Prochet, falta força de vontade do governo do Estado. Segundo o ruralista, a Igreja Católica de Paranavaí tem 133 algueires arrendáveis para projetos como o Campos da Paz, do Estado, que prevê reassentamentos. (Colaboraram Márccio W. Varella e Luciane Tonon)


