MST realiza marcha pelo Estado
A maioria das 35 operações, que despejou 2 mil famílias, segundo o MST, foi feita de modo violento, à noite – o que seria ilegal – com prisões e até tortura aos integrantes. Pelo menos duas desocupações foram feitas por pistoleiros encapuzados, contratados por fazendeiros: na Fazenda Santa Rosa, onde viviam 70 famílias, e Fazenda Novo Horizonte, com 16 famílias, ambas em Marilena, no Noroeste. ‘‘Temos vídeos que mostram agressão nos dois casos’’, diz Atesco.
Mas o despejo das 30 famílias na Fazenda Santa Maria, em Ortigueira, em 29 de abril, foi, talvez, o mais significativo do ano. Segundo o MST, a polícia entrou à noite, desalojou as famílias obrigando-as a deitar no chão e levou três homens para lugares distantes, onde os torturou. Valdecir Bordignon, Lourival Lesse e Valdeci Pereira da Silva contaram, na época, que apanharam, foram afogados nas cocheiras dos animais, obrigados a comer estrume de vaca e ameaçados de estupro.
Outros fatos marcantes, relata o MST, foram a agressão a José Geraldo dos Santos, de 84 anos, que teve uma das vértebras da coluna quebrada por um chute dos policiais no despejo da Fazenda Cabrinco, em Santa Cruz do Monte Castelo. Ele permaneceu 30 dias internado. O MST também acusa os fazendeiros por ter atirado em Marcos Luiz Mendes, de 8 anos, do assentamento de Marrecas, em Turvo. O garoto voltava da escola com um amigo, quando levou um tiro no braço, vindo de um Opala branco.
Numa reação às desocupações, o MST decidiu realizar uma marcha pelo Estado, de 1º a 8 de junho, até chegar a Curitiba. Na Capital, ficaram acampados na Praça Nossa Senhora de Salete, em frente ao Palácio do Governo, no Centro Cívico, onde construíram uma verdadeira cidade, com escola, padaria, horta e lavanderia. Ali eles permaneceram, coincidentemente 173 dias – mesmo número de trabalhadores presos – até 27 de novembro. Neste dia, a polícia chegou novamente à noite, numa operação surpresa, para retirá-los do local. (M.G)