MST reage e delegado libera vereador
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segunda-feira, 11 de agosto de 1997
Lucinéia Parra Maringá 
O vereador de Querência do Norte (a 113 quilômetros de Paranavaí) Dalto Luciano Vargas (PT), que teve sua prisão provisória decretada pela juíza Elisabeth Khater, de Loanda, na sexta-feira, se apresentou ontem de manhã ao delegado Mário Sérgio Bradok. Logo cedo, cerca de mil trabalhadores sem-terra se concentraram em frente à delegacia para protestar contra a perseguição ao MST e a prisão de Vargas.
Depois de ser ouvido pelo delegado Mário Sérgio Bradok, Vargas foi liberado, apesar da determinação judicial. O delegado negou que tivesse liberado o vereador por causa da manifestação. A autoridade policial tem poder para decidir se mantém ou não o decreto de prisão e eu achei por bem liberar o vereador já que ele prestou as informações que eu necessitava, explicou. Na semana passada, Bradok assegurou à Folha que manteria o vereador preso por cinco dias, como determinava a juíza.
Vargas era acusado de incitar invasões de terra e de divulgar na região que trabalhadores sem-terra usariam um veículo da Patrulha Rural da PM para realizar novas invasões. O vereador, acompanhado do advogado Nivaldo Possani, negou as acusações.
O depoimento do vereador durou cerca de 30 minutos. Segundo Bradok, outros representantes do MST serão convocados para prestar depoimentos. O delegado também afirmou que vai ouvir os autores da denúncia e que pretende concluir o inquérito em 30 dias. Bradok não quis revelar quem teria feito as denúncias contra o vereador.
Em nota distribuída ontem, em Querência do Norte, a coordenação do MST afirma que os sem-terra estão sendo vítimas de perseguição policial. O documento afirma que o delegado tem um comportamento desequilibrado.
Suas atitudes vêm afrontando os trabalhadores sem-terra e a população, chegando ao ponto de invadir a sede da cooperativa do MST, agredindo verbalmente os agricultores que lá se encontravam, diz um trecho do documento. De acordo com Paulo De Marqui, da coordenação do MST em Querência, o movimento quer o afastamento imediato do delegado.
Bradok negou que tivesse invadido a cooperativa do MST. Lá é um estabelecimento público, não são como as fazendas que têm proprietários e eles invadem, afirmou.
Bradok afirmou que os sem-terra não gostam de seu trabalho porque ele está colocando ordem no município. Segundo o delegado, a partir de agora não será mais preciso convocar judicialmente os sem-terra. Ele admitiu que a manifestação dos sem-terra foi ordeira. Desta forma, eles podem protestar todos os dias se quiserem porque não houve confusão.
DeputadoNa sexta-feira, o deputado federal Roque Zimmermann, o padre Roque (PT), criticou a decretação da prisão provisória do vereador. Não é por esses métodos que vamos levar paz ao campo. Ao contrário. Medidas como essas só põem mais pólvora no barril e quando esse barril estourar, o desastre será ainda maior, previu.
Ele recorreu ao secretário de Segurança Pública, Cândido Manoel Martins de Oliveira, e ao governador Jaime Lerner (PDT), pedindo empenho deles na reversão da prisão do vereador, que acabou não ocorrendo.(Colaborou Patrícia Zanin)


