MST quebra acordo com Incra
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segunda-feira, 21 de julho de 1997
Alexandre Sanches Londrina 
Arquivo/FLAcordo frustradoSegundo o MST, já havia sinais de que Incra e ruralistas não cumpririam acordo que suspendeu invasõesO Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) quebrou acordo firmado com o Incra e a Sociedade Rural do Paraná (SRP), invadindo seis propriedades rurais no final de semana no Norte do Estado. Pelo acordo, que garantiria o assentamento de pelo menos duas mil famílias até o dia 30. Eles ocuparam as fazendas Jacutinga (Porecatu), Santa Rosa (Alvorada do Sul), Floresta (Florestópolis) Santa Maria e Nossa Senhora Guadalupe (Tamarana) e Fazenda Luz (Faxinal).
Segundo o MST, cerca de 700 famílias que estavam acampadas há mais de três meses na Fazenda Ingá, em Alvorada do Sul, foram distribuídas nestas ocupações. No acordo, a Sociedade Rural se comprometeu a apresentar proprietários interessados em vender suas propriedades para fins de reforma agrária. O Incra faria um levantamento de área improdutivas e se comprometeria em assentar duas mil famílias. Em compensação, o MST não ocuparia mais nenhuma propriedade rural.
O dirigente do MST no norte do Estado, Josmar Choptian, disse ontem que não foram eles que quebraram o acordo. Tínhamos informações que a Sociedade Rural e o Incra não cumpririam o acordo. E que o Ministério Público iria designar policiais para a Fazenda Ingá, no dia 30, impedindo a saída das famílias para as novas ocupações, comentou.
Choptian garante que o MST está providenciando os processos de desapropriação. Se o Incra tivesse levantado as informações das fazendas, não teria nenhum problema. Acontece que descobrimos que o acordo não seria cumprido e que seríamos isolados. Só nos adiantamos a eles, disse.
O presidente em exercício da Sociedade Rural do Paraná, Luiz Roberto Neme, disse estar surpreso com esta atitude, pois a entidade, segundo ele, fez a parte dela. Vários proprietários ofereceram suas áreas para o Incra, mas até hoje não receberam. O problema das indenizações está sendo contestado na Justiça Federal. Desta forma, fica difícil negociar com o Incra, ressaltou.
Neme acredita que estas invasões foram precipitadas e contou que o Incra está trabalhando para fazer a reforma agrária no Brasil. Logicamente a coisa não acontece da noite para o dia. O que não pode acontecer é esta migração de pessoas de outros Estados para o Paraná. A cada dia aumenta o número de acampados, disse.


