Cristine Pieske e
Marcos Zanatta

Milton DóriaEnterro simbólicoEm Londrina, os manifestantes seguiram em passeata com o ‘‘caixão’’ do companheiro morto Representantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e do Sindicato dos Bancários fecharam ontem uma das agências do Bradesco, em Curitiba, para protestar contra o possível uso de uma das fazendas da empresa para abrigar pistoleiros. Segundo denúncias do MST, a Fazenda Figueira, situada no município de Guairaçá (Noroeste do Estado), é de propriedade da empresa Santa Maria Agropecuária, do grupo Bradesco, e teria servido de esconderijo e local de treinamento para jagunços contratados por fazendeiros da região. A assessoria de imprensa do banco afirma que a denúncia é infundada.
No início da semana, a polícia prendeu sete homens na Fazenda Figueira acusados de integrar o grupo de pistoleiros que desocupou as fazendas Santo Ângelo e Boa Sorte, em Marilena, e de matar o agricultor Sebastião Camargo Filho. Na fazenda, a polícia apreendeu também um revólver, uma pistola, munição, rádios transmissores e um capuz semelhante ao encontrado na Fazenda Boa Sorte. Um dos seguranças presos, Augusto Barbosa da Costa, chegou a afirmar que seu colega, Jair Fermino Borracha, foi o autor do disparo que atingiu o trabalhador rural.

Agência X/CascavelEm Cascavel, os sem-terra ficaram espremidos na calçada Denúncia Os líderes do MST afirmam que os sete responsáveis pela morte do agricultor são funcionários da Fazenda Figueira, e por isso o Bradesco teria responsabilidade direta na ação dos pistoleiros. O delegado de Nova Londrina, Eduardo Mady Barbosa, que preside o inquérito sobre a morte do agricultor, diz que ainda não conseguiu identificar os nomes dos proprietários da fazenda, nem conseguiu comprovar se existe ou não alguma ligação com o grupo Bradesco.
Em nota divulgada ontem no Noroeste, o MST e a CUT acusam o Bradesco de ceder a fazenda Figueira para ‘‘treinamento, planejamento e preparação do massacre de trabalhadores rurais sem-terra em Marilena’’. Na nota, as entidades pedem a desapropriação da área para reforma agrária.

Marcelo AlmeidaRoberto Baggio, do MST: denúncia por telefonema anônimoSegundo Roberto Baggio, um dos coordenadores do MST, o envolvimento dos seguranças da Fazenda Figueira foi denunciado em um telefonema anônimo recebido pelo escritório do MST na região Noroeste na semana passada. No telefonema, uma pessoa denunciou a existência de um grupo armado que teria sido contratado para expulsar os sem-terra das fazendas Santo Ângelo e Boa Sorte.
De acordo com a denúncia, o grupo estaria escondido na Figueira.‘‘Não há dúvidas de que os proprietários da área estão envolvidos na ação dos pistoleiros, e por isso o banco não merece o respeito da população’’, diz Baggio.
Banco nega A assessoria de imprensa da presidência do banco, em São Paulo, divulgou nota informando que a Fazenda Figueira não pertence a qualquer empresa integrante da Organização Bradesco. A nota diz que o imóvel pertence à Santa Maria Agropecuária Ltda., que também não tem vínculos societários com o banco.
O administrador da propriedade, Marcelo Aguiar, da Santa Maria Agropecuária, com sede em São Paulo, não foi localizado ontem pela Folha. Funcionários informaram apenas que ele não estava na empresa, nem em sua casa, em Bauru.

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