O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) anunciou ontem que irá organizar a ‘‘resistência pacífica’’ aos despejos nas áreas ocupadas cujos donos obtiveram mandados judiciais de reintegração de posse. A partir de hoje, também será discutida em todas as áreas a possibilidade de instalação de um acampamento em Curitiba, com mais de 2 mil famílias.
Segundo o coordenador estadual do MST, Roberto Baggio (foto), as duas propostas foram acertadas pelos 200 representantes de acampamentos que estavam em Curitiba para uma reunião no Incra. A reunião foi suspensa depois da chegada das notícias sobre a violência em Santa Isabel do Ivaí.
Baggio disse que a violência causou ‘‘pânico’’ nos acampamentos, ‘‘principalmente pelo fato de o governo do Estado ter tomado o partido do latifúndio’’. Ele disse que policiais militares e fazendeiros da região acompanhavam os homens encapuzados que agrediram os sem-terra e queimaram barracas. ‘‘Há uma ação coordenada pelo governo, UDR e latifundiários, de caça aos sem-terra’’, afirmou. Uma nota divulgada pelo MST diz que ‘‘o governo Lerner ficará na história como o governo dos massacres e das prisões políticas’’.
Baggio alertou que o incidente torna ‘‘bem mais presente o risco de enfrentamento nos acampamentos’’. Segundo ele, a outra alternativa é ‘‘buscar segurança na capital, já que no campo há uma afronta ao Estado de Direito’’. Ele disse que a intenção do MST é repetir a ação de 1986, quando centenas de famílias ficaram sete meses acampadas em frente ao Palácio Iguaçu.
O coordenador do MST também disse que os últimos episódios dificultam a negociação: ‘‘O governo não tem mais crédito para sentar à mesa de negociação. Tem é que fazer a reforma agrária’’.

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