Curitiba

Kraw PenasCobrançaJacques Pelenz (à direita): ‘‘Vamos pedir o assentamento de 9.000 famílias acampadas em 12 regiões do ParanᒒReforma agrária, emprego, moradia e justiça social. Esses são os temas da mobilização que o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) vai realizar na próxima semana em todo o País. Nesta segunda-feira, em Curitiba, 2 mil agricultores vão marchar do Parque Barigui ao Centro. ‘‘O objetivo é denunciar à sociedade o atual modelo econômico, voltado à exportação e excludente’’, avisa o coordenador estadual da entidade, Roberto Baggio.
Os trabalhadores vão organizar um acampamento no bairro São Francisco, em frente ao prédio da Secretaria Municipal de Obras Públicas. É dali que eles devem se deslocar para as atividades da semana, incluída aí uma visita à Superintendência Regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). ‘‘Vamos pedir o assentamento de 9 mil famílias acampadas em 80 áreas de 12 regiões do Estado’’, justifica o diretor do MST-PR, Jacques Pelenz.
Segundo Baggio, é preciso que o governo federal providencie recursos humanos, financeiros e materiais para o Incra acelerar as desapropriações e cumprir suas metas. ‘‘A previsão era assentar 80 mil famílias no Brasil neste ano. Por enquanto, só foram 12 mil. E ainda temos outras 48 mil acampadas’’, informa o dirigente do MST. Ele diz que a entidade também vai reivindicar aproximadamente R$ 100 milhões para o custeio agrícola das 7 mil famílias já assentadas no Paraná.
Pelenz acredita que a reforma agrária seria importante até como política social de combate ao êxodo rural, ao desemprego e à fome. ‘‘As medidas do governo vão no sentido contrário, pois as altas taxas de juros impedem investimentos do campo’’, avalia. Esses e outros assuntos ligados à economia do País vão ser abordados nas palestras que o MST programou para lugares públicos ao longo da ‘‘Jornada Nacional de Lutas’’, como foi denominada a mobilização.
O MST também prepara um ato público para sexta-feira, 25 de julho, o Dia do Colono, na Boca Maldita. A manifestação de encerramento da jornada conta com o apoio da Central Única dos Trabalhadores e do Fórum pela Reforma Agrária e Urbana, que reúne 38 entidades. ‘‘A história demonstra que as transformações sociais decorrem das pressões populares’’, lembra o diretor da CUT-PR, Wilson Bortolotto. ‘‘Estamos juntos para contribuir’’, emenda o coordenador do fórum, João Bello.

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