A coordenação estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) dará uma dura resposta ao governador Jaime Lerner (PFL) em protesto contra a desocupação da Fazenda Cachoeira, em Sapopema. Roberto Baggio, um dos integrantes da direção do MST no Paraná, anunciou ontem que poderão ‘‘acontecer algumas surpresas para o governo do Estado durante nossa estada em Curitiba’’.
O MST programou várias manifestações para a próxima semana na capital . A operação promovida pela PM ontem será motivo para engrossar as fileiras de manifestantes, segundo Baggio.
‘‘As marchas serão reforçadas com centenas de caravanas do interior, inclusive com as famílias despejadas da Fazenda Cachoeira’’, antecipou o líder do MST. O desalojamento de ontem deve prejudicar o diálogo mantido entre governo do Estado e MST sobre a desocupação de áreas consideradas delicadas no processo de reforma agrária.
‘‘Esta desocupação é uma punhalada que o governo Jaime Lerner nos deu nas costas’’, afirmou. Segundo Baggio, há 30 dias o MST participava de ‘‘várias rodadas de negociações para tentar buscar soluções pacíficas, sem o cumprimento de mandado judicial’’.
Roberto Baggio comentou que a ação policial patrocinada em Sapopema só comprovou que o governo não aposta no diálogo e que ‘‘o Estado do Paraná é onde a violência e a repressão ao MST é mais contundente no Brasil’’. O representante do MST disse que só na gestão de Lerner, cerca de 140 lideranças do movimento já foram presas.
Para Baggio, o atual governo, com esta postura, acaba beneficiando pistoleiros e fazendeiros que mantêm terras ociosas e que poderiam ser usadas no processo de reforma agrária.
Outro lado O porta-voz do governador, Hudson José, rebateu as críticas do representante do MST e disse que ‘‘o Paraná é o Estado onde a negociação tem sido levada até a última instância’’. José procurou desacreditar as afirmações de Baggio. ‘‘O que pode estar acontecendo é uma desinformação do senhor Baggio’’, assinalou.
Como eventual prova de que Lerner quer manter uma relação pacífica de entendimento com o MST, o porta-voz citou que ‘‘o governador tem sido questionado pelos proprietários rurais que cobram do governo uma ação mais rigorosa’’ para coibir as ocupações.
De acordo com Hudson José, o atual governo espera que o diálogo com o MST seja mantido com a finalidade de se realizar o maior número de assentamentos possíveis para que a questão não ganhe ‘‘um fim político-eleitoreiro’’.

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