A coordenação estadual do MST no Paraná divulgou nota no início da noite de ontem em Curitiba responsabilizando os governos estadual e federal pela morte de dois sem-terra e de um jagunço nos municípios de Querência do Norte e Laranjal, durante confronto com pistoleiros. O coordenador Rogério Mauro disse que uma comissão do MST do Paraná vai na semana que vem a Brasília denunciar ‘‘a omissão e a conivência do governo estadual na luta da bancada ruralista, da PM, do Palácio do Planalto, do Palácio Iguaçu para aniquiliar o movimento sem-terra no país. Vamos denunciar isto nas comissões de direitos humanos do país’’.
O coordenador do MST diz que as mortes de ontem não são fatos isolados porque ‘‘nos últimos tempos têm-se multiplicado as milícias armadas, apoiadas pela bancada ruralista, pela UDR, por parte da mídia, pelos governos para aniquilar o nosso movimento. Esta ação está garantida e apoiada pela bancada ruralista e pela UDR. Já avisamos inúmeras vezes ao governo e à Justiça sobre o problema em Laranjal e ninguém prestou atenção nisso. Esta situação que vimos hoje (ontem) já estava desenhada há muito tempo’’.
Segundo Rogério Mauro, o MST responsabiliza também o governo federal pela ‘‘falta de vontade política de fazer a reforma agrária’’.
Até às 16 horas de ontem, em Brasília, o ministro da Reforma Agrária Raul Jungmann não sabia nada a respeito das mortes no Paraná. Seu assessor de imprensa Alfredo Lobo disse que o ministro se reuniu no final da tarde com o Incra e a coordenação nacional do MST para obter dados e dar, hoje, uma entrevista coletiva à imprensa.
A Comissão Pastoral da Terra, em Curitiba, também está mobilizada. Seu assessor jurídico Darci Frigo disse que existe muita omissão por parte do governo do estado nesta questão. ‘‘A própria PM está envolvida com esses bandos de pistoleiros. Nós não esperamos mais nada de bom do governo do estado’’.
A Assessoria Especial para Assuntos Fundiários, do governo do Paraná, também não sabia nada sobre as mortes. O assessor José Carlos Araújo, responsável pelo acompanhamento dos conflitos de terra no Estado, estava ontem em Pato Branco, participando de congresso. A Secretaria de Comunicação Social do Palácio Iguaçu, através de seu assessor de imprensa João Evangelista, não quis dar declarações. (M.V.)

mockup