MST planeja acampamento de 5 mil famílias na região
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terça-feira, 21 de janeiro de 1997
Apolo Theodoro 
Arquivo FolhaEstratégia camponesaO Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra quer recrutar sem-teto na periferia de cidades da regiãoA paisagem da região de Londrina sofrerá uma significativa mudança, a partir de qualquer dia deste ano. Um grande acampamento, ou melhor, um dos maiores acampamentos da luta pela posse da terra no Brasil, coisa para 5 mil famílias, está em processo de organização e deverá ser uma das grandes bandeiras do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST). O objetivo: apressar a reforma agrária no Norte do Paraná.
Mas não é só. Além do acampamento, uma outra idéia anda incendiando a cabeça dos líderes do MST: alargar as fronteiras do movimento, atraindo para os seus quadros os sem-teto da área urbana a fim de que, organizados, possam melhor conduzir as ocupações urbanas que hoje acontecem de forma espontânea.
Para discutir esses dois assuntos, além de fazer uma avaliação da luta em 96 e discutir a linha política e as estratégias de ação para 97, líderes do MST estarão reunidos a partir das 14 horas de hoje na fazenda Ingá, perto da cidade de Bela Vista do Paraíso. Uma indefectível análise de conjuntura também está na pauta das discussões.
O encontro vai até quinta-feira e, nestes três dias, tudo deverá ser discutido, esmiuçado, já que é idéia colocar os planos em prática a partir do mês que vem. Josmar Choptian, da direção estadual do MST e coordenador da regional de Londrina, será um dos participantes do encontro e está com o discurso na ponta da língua. E ele pensa alto: Londrina vai alavancar a luta pela posse da terra.
Sobre o acampamento, Josmar adianta: Ou será na beira de rodovia ou numa área social de um dos assentamentos da região de londrina. Os sem-terra permanecerão acampados até o Incra concretizar as negociações das áreas visadas com os donos dessas propriedades. Josmar antecipa também que os participantes desse gigantesco acampamento serão recrutados nas periferias das cidades entre Londrina e Maringá.
Vamos interferir no trabalho de organização dessas famílias, são ex-lavradores que perderam as terras e hoje estão desempregados por causa da política neoliberal do governo de Fernando Henrique Cardoso, interpreta Josmar. Ele lembra que o acampamento não é uma ocupação, mas salienta que o MST vai intensificar as ocupações na região de Londrina.
Quanto à investida junto às demais categorias da zona urbana, Josmar diz que ele se dará em duas frentes: junto aos que ele chama de sem-teto e junto aos sindicatos. Vamos reunir essas famílias, incentivar sua organização. Queremos que elas estejam engajadas em um mvoimento que contemple os objetivos delas, salienta Josmar, antecipando que as ocupações urbanas também serão incentivadas pelo movimento, como forma do trabalhador sem-teto conseguir a sua moradia.
Com os sindicatos, Josmar quer ver essas entidades discutindo e incentivando seus filiados a lutar pelas três bandeiras que o MST considera fundamentais no atual momento: Contra a reeleição de FHC; contra a privatização da Companhia Vale do Rio Doce e contra todo o projeto neoliberal do governo FHC, que favorece apenas 20 milhões de brasileiros, deixando os demais na mais absoluta miséria.
Nos próximos três dias, a liderança do MST também estará discutindo a criação de uma cooperativa para comercializar tudo que é produzido nos assentamentos da região. A cooperativa também centralizará a compra de insumos, dará assistência técnica e irá direcionar os recursos conforme as linhas de produção, revela Josmar Choptian, acreditando que toda a movimentação dos sem-terra na região será realizada sem conflito com os proprietários de terra. Pois ele declara: Aqui há muita terra sendo oferecida para reforma agrária.


