Uma comissão constituída por representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), sindicalistas, Polícia Civil e jornalistas teve acesso ontem à sede principal da Fazenda 7 mil, em Ivaiporã (150 km ao sul de Apucarana), invadida no dia 22 de agosto por 600 famílias sem terra. A permissão foi concedida pela direção estadual do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) para contestar denúncias de depredação e violência que teriam sido praticadas na invasão.
No contato com alguns trabalhadores da fazenda foi confirmado apenas que durante a invasão, com o argumento de apreenderem armas, muitos sem-terra acabaram furtando roupas e eletrodomésticos nas casas de funcionários. Porém, a denúncia chegou ao conhecimento dos líderes do novo acampamento, que providenciaram a devolução de vários objetos. Os autores das denúncias de furtos preferiram ficar no anonimato.
As fazendas Corumbataí e Canadá - mais conhecidas como 7 mil -, de propriedade do industrial paulista Flávio Pinho de Almeida, já tinham uma faixa de terras invadida por 600 famílias desde de abril do ano passado. Agora, chegaram mais 600 famílias, que ocuparam a sede da fazenda, que tem um total de 5,7 mil alqueires distribuídos nos municípios de Ivaiporã, Jardim Alegre e Godoy Moreira. A principal atividade da propriedade é a pecuária, com um rebanho de 14 mil cabeças de gado.
A solicitação ao MST para permitir o acesso à área também foi reforçada pelo Poder Judiciário e Ministério Público da Comarca, manifestando preocupação com a integridade física das 32 famílias de funcionários que permanecem na fazenda. As autoridades chegaram a convocar uma reunião para discutir o problema.
Após visitar a sede da fazenda, o presidente da subseção da OAB de Ivaiporã, José Clemente Martins, manifestou-se insatisfeito por não ter podido conversar a sós com os funcionários da 7 mil. ‘‘Os diálogos foram acompanhados por líderes dos sem-terra, deixando os funcionários meio constrangidos’’, avaliou o dirigente da OAB. Ele concluiu que a integridade física das famílias está sendo preservada, mas ressalta que todos estão sob tensão e na expectativa de que o proprietário da fazenda defina a situação.Odair StraliottiFazenda foi ocupada em abril do ano passado e hoje abriga 1.200 famílias sem terraMaurício Borges

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