MST pede providências contra UDR
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sábado, 05 de abril de 1997
Da Redação 
Arquivo FolhaDefesaMarcos Prochet: Eles me bateram com o cabo da foice e puseram o revólver na minha cabeça, dizendo que o presidente da UDR tinha que morrerO Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) de Querência do Norte (113 quilômetros de Paranavaí), denunciou anteontem que a União Democrática Ruralista (UDR) do Noroeste do Estado está colocando pistoleiros em propriedades vizinhas a áreas ocupadas. Os sem-terra querem também que o Ministério Público tome providências sobre um incidente ocorrido na Fazenda Dois Córregos, na quinta-feira.
Segundo um dos líderes do MST na região, Nildemar da Silva, o presidente da UDR, Marcos Menezes Prochet, foi armado em uma área da fazenda, onde os sem-terra trabalhavam. Na área estavam cerca de 140 pessoas e ele fez ameaças, afirma Silva. O líder do MST diz ainda que Prochet estava com uma câmera de vídeo, que poderia ser usada para identificar os trabalhadores sem-terra. Acreditamos que ele estava fazendo imagens para os pistoleiros identificarem nosso pessoal, acusa Silva.
Segundo ele, os sem-terra conseguiram tomar a arma e a câmera de vídeo de Prochet, que foram entregues na delegacia de Querência, onde prestaram queixa contra o líder ruralista. Ele deveria ficar preso, mas isso não aconteceu e vamos apelar ao Ministério Público. De acordo com o delegado de Querência, João Batista Fernandes, os sem-terra não apresentaram queixa até sexta-feira.
Prochet registrou queixa na sexta-feira à tarde contra os sem-terra. Na sua versão, ele foi cercado por um grupo de 60 sem-terra que tomou a fita de vídeo que estava na filmadora e impediu o acesso à sede da fazenda. Prochet garante que estava sozinho e desarmado. Eles me bateram com o cabo da foice e puseram o revólver na minha cabeça, dizendo que o presidente da UDR tinha que morrer, disse. Segundo Prochet, três sem-terra estavam com revólveres. Ele afirma que a situação só se acalmou três horas depois, com a chegada do líder Nildevar da Silva.
A parte da Fazenda Dois Córregos pertencente a Deise Prochet Sandreschi, tia de Marcos, com 150 alqueires, a maioria com mandioca, está ocupada desde o dia 31 de dezembro. A parte de Marcos e irmãos tem 180 alqueires. Segundo Prochet, os sem-terra estão gradeando a plantação de mandioca, totalmente vendida para uma fábrica de farinha.


