MST ocupa três fazendas no Sudoeste
Em Francisco Beltrão, homens armados barraram os invasores; em Renascença e Honório Serpa a ação foi pacífica
Sandra Mara Mendes
Especial para a Folha
Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocuparam ontem três fazendas no Sudoeste do Estado. Cerca de 400 famílias invadiram na manhã de ontem a Fazenda Zanchetti, em Francisco Beltrão, e a Santana em, Renascença. Anteontem, 26 famílias invadiram a Fazenda Chopim 4, em Honório Serpa.
Em Francisco Beltrão, homens armados de espingardas impediram a entrada dos integrantes do movimento na sede da Fazenda Zanchetti. Os sem-terra entraram por uma área vizinha e estão acampados numa reserva. A ocupação em Renascença foi pacífica.
Segundo o coordenador do MST no Sudoeste, Seno Staats, as invasões aconteceram porque a região tem mais de 20 mil famílias de sem-terra e o movimento não tem uma resposta concreta do governo para assentamentos. ‘‘A região estava meio parada, mas estas são as primeiras de uma série de ocupações em todo Estado’’, salientou.
Staats disse que o MST pediu ao Incra a vistoria das duas fazendas há mais de um ano. Ele também alega que a Fazenda Zanchetti, com 732 hectares, e a Santana, com aproximadamente 3 mil hectares, são improdutivas.
A chefe da Unidade Avançada Iguaçu do Incra, em Francisco Beltrão, Adriana Salvadori, declarou que a Fazenda Zanchetti foi vistoriada e considerada produtiva, o que torna impossível a desapropriação. ‘‘Esta área tem plano de manejo e reflorestamento de pinheiros. É a única mata existente em Francisco Beltrão’’, afirma. Adriana Salvadori disse que a vistoria da Fazenda Santana ainda não foi feita.
A proprietária da área de Renascença é a Madeireira Santana, que há três meses não paga o salário de seus funcionários. Aproximadamente 70, dos 300 invasores, estão na folha de pagamento da empresa.
Os trabalhadores rurais sem terra que invadiram as áreas são excedentes de acampamentos das fazendas Anoni, em Marmeleiro, e Marrecas, em Francisco Beltrão. Os demais são dos municípios de Renascença, Salgado Filho, Manfrinópolis e Verê.
O coordenador do MST na região afirmou que serão realizadas cerca de cinco ocupações nas próximas semanas. A meta do MST é ‘‘assentar’’ 800 famílias este ano. ‘‘Se o governo quiser, o número que estipulamos será fácil de cumprir’’, ressaltou.
Os proprietários das áreas invadidas por membros do MST não foram encontrados ontem para adiantar se entrarão com pedidos de reintegração de posse das terras.
Até o final da tarde de ontem, o Incra não tinha sido comunicado pelo MST sobre as invasões na região Sudoeste.

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