Quinze famílias de trabalhadores rurais sem terra invadiram no domingo o Sítio São João, em Farol (25 km a oeste de Campo Mourão). A propriedade, que fica a sete quilômetros da cidade, tem 42 alqueires e pertence a João Carlos Just.
Segundo o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a fazenda já estaria em poder do Banco do Brasil há mais de um ano. As famílias que ocuparam a área são de Farol e estão acampadas em barracos.
Esta foi a segunda invasão em áreas do município em menos de uma semana. Na semana passada, outro grupo de 15 famílias vindas de Nova Cantu (120 km ao sul de Campo Mourão), ocupou um sítio de 42 alqueires na região do Cruzeirinho.
De acordo com membros do MST, o sítio fica a 11 quilômetros da cidade e está em poder do Banco do Brasil há dois anos. A versão foi confirmada pela ex-proprietária, Leila Tonelo Machado da Luz.
Paulo Sérgio de Souza, 25, da coordenação regional do MST, disse ontem à Folha, por telefone, que os invasores aguardam a presença de técnicos do Incra para que seja feito o cadastramento das famílias e dado o início aos processos de desapropriações.
Segundo ele, as famílias vão começar a arar a terra para o plantio de milho, arroz, feijão e mandioca. ‘‘Vamos começar plantando o básico para resolver o problema de comida’’, disse.
O delegado de Farol, João Lamann, disse ontem que a situação é tranquila nas duas propriedades. ‘‘Esse pessoal é pacífico’’, disse. ‘‘Eles ficaram sabendo que os sítios estavam em poder do banco e entraram para ver se conseguem a posse’’.
Segundo o delegado, os dois sítios são produtivos, mas estavam abandonados. ‘‘Não havia ninguém morando neles nem para cuidar das benfeitorias’’. Parte dos invasores já esteve reunida com o prefeito Edson Martins (PSDB).

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