MST ocupa 5 agências do Banestado
Estratégia teve o objetivo de pressionar governo do Estado a atender três reivindicações feitas pelo movimento
Alexandre Sanches
Paulo WolfgangDentroIntegrantes do movimento fazem assembléia dentro da agência do Banestado em Londrina para definir posições a serem tomadas Líderes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocuparam ontem à tarde agências do Banestado em cinco municípios do Paraná, enquanto a coordenação do movimento estadual tentava negociar reivindicações com a direção do banco e o governo do Estado. Foram ocupadas as agências centro de Londrina, Pato Branco, Laranjeiras do Sul, Paranavaí e Ponta Grossa. As ocupações foram pacíficas e interromperam parcialmente o atendimento aos clientes.
Os sem-terra exigem a renovação imediata do convênio de Assistência Técnica com a Cooperativa Central de Reforma Agrária e liberação de R$ 5 milhões do programa Paraná 12 Meses, conforme promessa feita pelo governo no dia 23 de outubro do ano passado, e a não privatização do Banestado.
Paulo WolfgangForaDepois
de contatos
com a
direção
do MST
em Curitiba,
sem-terra
saem
do banco;
apenas
líderes
permanecem
dentroO coordenador do MST no Norte Pioneiro, Luiz Alonso Salles, disse ontem em Londrina que os sem-terra querem recursos para trabalhar nas áreas de maior produção. ‘‘No Paraná temos 144 áreas de assentamento com 8.142 famílias. Mas estas famílias necessitam de recursos e assistência técnica para trabalhar a terra’’, afirmou.
Em comunicado oficial o MST afirma que o governo do Estado há seis anos vinha mantendo um convênio de assistência técnica com a Cooperativa Central de Reforma Agrária, através da Secretaria de Estado do Meio Ambiente. Em março deste ano o convênio cessou, apesar das negociações para sua renovação estarem em andamento desde outubro de 1997, e das promessas do governo de que o convênio seria renovado.
‘‘Vamos ficar na agência até que o governo atenda nossas reivindicações’’, anunciou Luiz Salles. Sobre a defesa da não privatização do Banestado, ele disse que os sem-terra dependem muito do banco e que não podem permitir que um órgão do Estado seja vendido aleatoriamente.
Ontem, por volta das 12h30, cerca de 200 pessoas portando foices, bandeiras do Brasil e do MST, entraram na agência Centro, em Londrina, e bloquearam o acesso dos clientes por aproximadamente duas horas.
Segundo o MST, cerca de 300 sem-terra de diversos acampamentos do Norte do Estado participavam da manifestação. Às 15h55, faltando cinco minutos para o fechamento da agência, decidiram em nova assembléia permanecer dentro da agência por tempo indeterminado.
No entanto, às 16h25, após rápida reunião com a direção do banco e Polícia Militar, resolveram desocupar a agência e permanecer acampados do lado de fora. ‘‘A direção em Curitiba nos informou que as negociações estão avançando e há possibilidade de renovar o convênio. Se for necessário, amanhã (hoje) iremos ocupar a agência novamente’’, alertou Salles.
Ponta GrossaEm Ponta Grossa, cerca de 150 manifestantes ocuparam a agência do Banestado às 11h15. Houve um princípio de tumulto com a chegada da Polícia Militar. Após uma hora e meia de negociação com a gerência do banco e a PM, os sem-terra concordaram em sair do interior do banco. Apenas um grupo de líderes permaneceu dentro da agência.
Os demais manifestantes tomaram a calçada e a rua em frente à agência. Polícias Militar e Civil foram obrigadas a fechar a Rua Engenheiro Schamber, endereço da agência, causando transtornos no trânsito de outras duas ruas próximas. (Colaborou Giovane Ferreira)

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