MST monta escola para acampados
Dimitri do Valle
Entrou em funcionamento ontem no Centro Cívico, em Curitiba, uma escola do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) que educará as crianças e adultos que estão acampados em frente ao Palácio Iguaçu há duas semanas. A escola funcionará nas instalações abandonadas do prédio do Fórum de Justiça da capital. As aulas serão ministradas entre o térreo o segundo andar por professores volutários.
Segundo nota divulgada pelo MST, a escola permanecerá em atividade durante todo o tempo em que os sem-terra ficarem acampados em frente a sede do governo paranaense. Os agricultores chegaram em Curitiba no dia oito deste mês para pedir o fim das prisões e desocupações promovidas pela PM na região noroeste e que terminaram com a prisão de 41 lideranças do movimento.
Batizada de Escola Itinerante Terra e Vida, o espaço servirá para desenvolver atividades educativas com crianças de dois a seis anos de idade, aulas para a primeira etapa do ensino fundamental (1ª a 4ª série) e educação de jovens e adultos. Cerca de 100 crianças serão atendidas desde o ensino maternal até a 4ª série e aproximadamente 100 jovens e adultos terão acesso a educação do primeiro grau.
O coordenador estadual do MST, Roberto Baggio, pediu que a Prefeitura de Curitiba e o Governo do Estado viabilizassem a doação de material escolar e merenda. A educação está assegurada na Constituição, disse. Para evitar a propagação da umidade dos andares que estiverem sendo usados, os sem-terra aplicaram cimento e areia nas aberturas verificadas entre um andar e outro. Esperamos agora que o poder municipal e o Estado garantam as condições de funcionamento da escola. Esperamos que não seja preciso que se faça uma nova manifestação para exigir um direito básico que é a educação, afirmou.
Baggio citou que os recursos empregados pela PM durante as ações de desocupação são muito maiores que o dinheiro que será empregado para viabilizar a escola. Se nós compararmos que o governo gastou R$ 2 milhões nas desocupações, o gasto com a escola será mínimo, ressaltou.





