MST monta acampamento na PR-239
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terça-feira, 15 de abril de 1997
Sid Sauer Correspondente 
NOVA CANTU - Até o final do mês, cerca de 1.500 famílias de sem-terra devem se acampar às margens da PR-239, entre Nova Cantu e Roncador (120 quilômetros a sul de Campo Mourão). Pelo menos essa é a expectativa do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra, que desde a semana passada está recebendo famílias no Assentamento Santo Reis, que existe em Nova Cantu desde 1989. Os sem-terra começaram a chegar na quinta-feira e ontem já eram mais de 200 famílias. Eles esperam cadastramento do Incra.
Estamos montando uma espécie de acampamento reivindicatório, explica Julir das Chagas Martins, que faz parte do MST no Estado. As famílias vão se organizar a partir daqui para negociar novos assentamentos, completa. O líder do grupo nega que já exista alguma fazenda de Nova Cantu que esteja na mira do movimento, mas há rumores pela cidade que áreas improdutivas possam ser invadidas a partir da semana que vem. Não é por isso que estamos aqui, frisa Martins.
O dirigente do MST adianta apenas que existem fazendeiros da região interessados em vender suas terras para o Incra. Segundo ele, o objetivo é preparar as famílias que estão chegando para aprender a viver em conjunto, formar grupos para eventuais áreas desapropriadas e fazer com que os sem-terra deixem o local já preparados para produzir onde foram assentados. Só não há prazo para eles saírem do assentamento. Vai depender das negociações, diz Martins.
Das mais de 200 famílias que estão em Santo Reis, cerca de 60 são de Nova Cantu. O restante veio, principalmente, de 12 municípios que o MST chama de Vale do Cantu, que vai desde Palmital até Campo Mourão. Há também muitas famílias do Sudoeste do Estado e até de Santa Catarina. De acordo com Martins, todas devem começar a ser cadastradas pelo Incra a partir do dia 30. Eles também esperam cestas básicas do órgão. Por enquanto, cada família sobrevive com a comida que levou.
PrefeitosA organização do movimento no Vale do Cantu inclui audiências com os prefeitos das cidades da região. Os prefeitos não querem perder habitantes, ressalta Martins. O movimento também vai fazer uma vistoria na região para detectar áreas passíveis de reforma agrária. Atualmente, a região de Campo Mourão tem apenas um acampamento de sem-terra. Fica em Peabiru, onde 120 famílias aguardam as negociações entre o Incra e o dono da área.
Em Goioerê, as 150 famílias que estavam desde dezembro acampadas na área da Escola Agrícola Federal, a espera da desapropriação da Fazenda São Luiz Rey, foram embora na semana passada. Eles foram recebidos a tiro quando chegaram ao local e desistiram da espera depois que foram informados que a fazenda não seria mais desapropriada. O acampamento regional de Nova Cantu fica num pedaço dos 420 alqueires que há seis anos foi dividido entre 70 famílias que estavam acampadas desde 1986.


