MST mantém ocupada sede regional do Incra no Sudoeste do Estado
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sábado, 17 de maio de 1997
Paulo Pegoraro Sucursal de Cascavel 
Um grupo de 60 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e de outras organizações envolvidas no Grito da Terra - evento anual reivindicatório de pequenos proprietários - mantinha ontem a ocupação, iniciada na última quarta-feira, da sede regional do Incra em Francisco Beltrão, no Sudoeste do Paraná. A ocupação aconteceu em protesto pela substituição do chefe regional do instituto, Célio Bonetti.
Os manifestantes acusam o deputado federal Nelson Meurer (PPB) de ter negociado a substituição de Bonetti, à revelia da própria superintendência do Incra no Paraná. O fato é confirmado pela superintendente, Maria de Oliveira.
Há pouco mais de um mês, Maria de Oliveira havia nomeado Célio Bonetti para o cargo de executor da Unidade Avançada do Iguaçu. Bonetti, que já foi secretário de Ação Social do Município de Francisco Beltrão, tem histórico de atuação junto aos movimentos de pequenos agricultores e sem-terra. Ele deveria fazer uma reestruturação do órgão na região, mas acabou destituído do cargo sem que a superintendente fosse consultada.
Segundo Maria de Oliveira, e integrantes do MST, o deputado Nelson Meurer, de Francisco Beltrão, conquistou este mando por ter votado à favor da reeleição e reformas pretendidas pelo governo.
Como a nomeação de executores é atribuição da superintendência, Maria de Oliveira ameaçou renunciar, mas permaneceu porque teve apoio de funcionários do órgão e do próprio MST, que também não aceita a substituição.
Ela disse que não aceita dar posse à Adriana Salvadori, pela forma como foi nomeada para ocupar o lugar de Bonetti. Outro motivo, segundo a superintendente, é que a nomeada não têm identificação com as questões fundiárias. Adriana Salvadori é zootecnista e irmã de um vereador de Francisco Beltrão, que pertence ao mesmo partido de Meurer.
Com todo respeito, mas ela não entende de reforma agrária, disse ontem Seno Staats, da coordenação estadual do MST. Ele está acampado na sede regional do Incra.
Maria de Oliveira esteve sexta-feira no local, de onde fez contatos com Brasília, com a presidência do Incra, mas foi informada de que a substituição é irreversível. Hoje, ela viaja para Brasília, com a possibilidade de discutir sua própria permanência no cargo de superintendente. A superintendente tem mantido boas relações tanto com o MST quanto entidades de ruralistas do Paraná.
Apesar do impasse, o MST conseguiu fazer avançar algumas questões, durante a permanência de Maria de Oliveira em Francisco Beltrão. Segundo Seno Staats, o Incra aceitou vistoriar 12 áreas passíveis de desapropriação na região, com 2 mil hectares, nenhuma delas ocupada. Também confirmou ter a imissão de posse de três áreas desapropriadas, com mil hectares e 50 famílias, faltando a imissão em outras duas, com 4 mil hectares e 200 famílias.


