MST mantém no ar rádio que seria lacrada pela PF
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 11 de março de 1998
Luiz Carlos Dias Junior Especial para a Folha 
O agricultor Álvaro Muzzolon foi enterrado ontem, às 9 horas, no Cemitério Municipal de Cantagalo (80 km a oeste de Guarapuava), em clima de revolta. Muzzolon sofreu um infarto durante ação da Polícia Federal para apreender o transmissor da Rádio Comunitária Alternativa, de Cantagalo.
Álvaro Muzzolon era presidente da Associação dos Pequenos Produtores e conselheiro do trabalho municipal e estadual do Paraná 12 Meses. Segundo um dos diretores regionais do Movimento Nacional dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), identificado apenas como Oswaldo, de 600 a 700 pessoas acompanharam o enterro e participaram de manifestações com carreata pelas ruas da cidade. Na manhã de ontem, a Rádio Alternativa voltou a operar por iniciativa dos manifestantes.
Isto não vai ficar assim. Estamos de prontidão e caso a Polícia Federal resolva fazer nova apreensão de nossos equipamentos a conversa vai ser diferente, ameaçou Oswaldo. Segundo ele, só não houve uma tragédia durante apreensão do transmissor, porque os policiais federais resolveram liberar o engenheiro agrônomo Ronaldo Franco de Oliveira, que seria preso.
Sem-terra soltos Doze dos treze sem-terra que estavam presos em Mamborê (36 km a sudoeste de Campo Mourão) há 20 dias foram soltos anteontem no final da tarde. Eles ganharam liberdade provisória e vão continuar respondendo o processo. Apenas Ordalino de Souza continua preso. Ele já é assentado em Nova Cantu e tem prisão preventiva decretada pela comarca de Campina da Lagoa por invasão à Fazenda Ouro Verde, em Altamira do Paraná.
Os outros 12 sem-terra já deixaram o município. A maioria é da região de Nova Cantu. Eles foram presos no dia 19 de fevereiro, quando a polícia desocupou a Fazenda Esperança, que estava invadida por cerca de 120 famílias desde o início do ano.
Entre os sem-terra que deixaram a cadeia anteontem, está José Fausto dos Santos, 36, que levou um tiro na barriga durante a desocupação. Todos estavam presos por porte de arma, invasão e desobediência, além de um acusado de tentativa de homicídio, uma vez que o soldaddo José Maria de Oliveira foi ferido com um facão durante a desocupação. (Colaborou Sid Sauer)


