Os sem-terra que ocupam a Fazenda Dois Córregos, em Querência do Norte (103 quilômetros de Paranavaí), estão negociando com a proprietária, Daisy Prochet, uma solução para transformar a área num futuro assentamento. A superintendente do Incra, Maria de Oliveira, esperava para hoje a desocupação da Dois Córregos. Segundo o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), o acampamento tem 230 famílias.
Os acampados deixariam a Fazenda Dois Córregos e, em troca, a proprietária negociaria a terra - considerada produtiva - para desapropriação com o Incra. A necessidade de desocupação da área se deve ao fato de que o Incra não negocia desapropriações de terras invadidas.
Os acampados se recusam a aceitar a proposta do governo do Estado e do Incra de mudar provisoriamente para a Fazenda São Sebastião, de 467 hectares, no município vizinho de Santa Cruz do Monte Castelo.
A São Sebastião foi comprada pelo Incra para abrigar as famílias sem-terra que estavam nas fazendas Santa Amélia e Água da Prata - já desocupadas - e Santa Ana e Dois Córregos, que ainda têm acampamentos. As quatro áreas foram consideradas produtivas e seus proprietários dispõem de sentenças de reintegração de posse consumadas na Justiça. O MST também está negociando diretamente com o proprietário da Fazenda Santa Ana.
As famílias que estavam nas fazendas Santa Amélia e Água da Prata montaram acampamento em propriedades localizadas em Querência do Norte. As duas fazendas foram desocupadas porque seus proprietários manifestaram interesse em vender as propriedades para o Incra. ‘‘Fizemos um acordo com os proprietários diretamente e eles concordaram em negociar as áreas para que o Incra pudesse fazer o assentamento definitivo’’, disse o líder do MST em Querência do Norte, Celso Anghinoni.
Segundo Anghinoni, a Fazenda São Sebastião comporta apenas 20 famílias. ‘‘Se é para ficar provisoriamente na São Sebastião, as famílias preferem ocupar outras áreas também de forma provisória para que o Incra cumpra o acordo feito em Curitiba de desapropriar áreas na região’’, disse. Ele afirmou que a decisão não significa confronto. ‘‘Não apostamos no confronto, mas se não houver nenhuma pressão, a reforma agrária não é realizada’’.
CorreçãoNa reportagem publicada ontem sobre os sem-terra de Querência do Norte, a fazenda São Sebastião, em Santa Cruz do Monte Castelo, foi chamada por engano, uma vez, de Fazenda ‘São Francisco’.

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