Cerca de 60 famílias sem-terra invadiram pela terceira vez a Fazenda Jacutinga, em Porecatu (85 km ao norte de Londrina). Elas entraram domingo por volta das 12 horas. De acordo com a declaração do líder dos sem-terra identificado como Alencar Hermes, feita à Polícia Militar, a invasão foi orientada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
‘‘Tenho informação de que a área é produtiva, mas eles afirmaram que vão ficar porque o Incra autorizou a invasão’’, afirmou o comandante do 15º Batalhão da Polícia Militar em Rolândia, major Rubens Guimarães. A fazenda tem mandado de reintegração de posse emitido em 8 de agosto de 1997, que está na Secretaria de Estado da Segurança Pública para analisar o cumprimento. ‘‘Ontem comunicamos da situação na área’’, disse.
Os invasores, membros do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), são os mesmos que em novembro saíram da área cumprindo um acordo com o Incra para vistoriar a propriedade. O grupo foi para a Fazenda Ingá, em Alvorada do Sul, mas como não houve resposta, voltou à área.
‘‘Eles aproveitaram que a Patrulha Rural foi vistoriar uma outra propriedade. Mesmo assim vamos continuar com o patrulhamento na área’’, ressaltou major Guimarães. Os sem-terra da Jacutinga respondem a um inquérito policial sobre o desaparecimento de aproximadamente mil cabeças de gado, ocorrido desde a primeira invasão, em julho de 1997, até setembro de 1998.
O delegado de Porecatu, Márcio Vinicius Ferreira Amaro, disse que as investigações continuam e confirmou a informação da PM que o líder do acampamento, Alencar Hermes, é o mesmo de outras invasões.
Reforço Cerca de 25 sem-terra reforçaram no final de semana o acampamento da Fazenda Santa Maria, em Jaguapitã (46 km ao norte de Londrina), invadida desde o dia 27 de fevereiro. Agora a área conta com aproximadamente 90 sem-terra ligados ao MST. O grupo chegou a ser abordado por um policial.
‘‘O ônibus que os transportava foi parado por um policial rodoviário que pediu reforço no Batalhão em Rolândia. Cerca de 70 sem-terra, armados com foices e facões, saíram da fazenda e foram em socorro do grupo que estava retido. O grupo foi liberado para evitar um confronto’’, contou major Guimarães. Na semana passada, a PM tentou impedir que novos grupos, vindos da região Oeste e Sudoeste do Estado, reforçassem o acampamento.
Os sem-terra têm conhecimento que a propriedade é produtiva e que não existe nenhum processo de desapropriação no Incra. ‘‘Nós ocupamos para forçar uma negociação. Agora o Incra deve acertar com os proprietários’’, comentou um sem-terra na semana passada. A polícia continua patrulhando a área para evitar que novos grupos cheguem à fazenda.
Noroeste Um grupo de 30 sem-terra invadiu no domingo a fazenda São Sebastião, de 224 alqueires no município de Santa Cruz do Monte Castelo (103 quilômetros a oeste de Paranavaí). A propriedade pertence a Clovis Julião Arroyo e é considerada produtiva segundo laudo de vistoria do Incra. A União Democrática Ruralista (UDR) em Paranavaí, soltou nota acusando os sem-terra de terem abatido nove animais depois da invasão, (Colaborou sucursal de Maringá)

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