MST invade fazenda pela segunda vez
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terça-feira, 12 de janeiro de 1999
Maurício Borges 
Cerca de 120 trabalhadores rurais sem-terra, procedentes de Paraíso do Norte (33 km ao sul de Paranavaí), ocuparam ontem de manhã a Fazenda São Carlos, em Arapongas (35 km a oeste de Londrina). Líderes do grupo justificaram a ocupação dizendo que têm informações seguras de que a fazenda, de 766 hectares, já foi comprada pelo Incra em negociação com o Banco do Brasil, que havia recebido o imóvel em dívida.
Em outubro, outro grupo do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) já havia ocupado a São Carlos para pressionar o governo federal a desapropriar a área para fins de reforma agrária. Na época, o Banco do Brasil obteve reintegração de posse imediata e os acampados concordaram em sair da área pacificamente.
Na ocupação de ontem, o grupo chegou às 5 horas, em dois ônibus e dois caminhões, instalando acampamento junto a um barracão de máquinas e veículos, na sede principal da fazenda. Funcionários da São Carlos comunicaram a gerência do Banco do Brasil, em Arapongas e, às 9 horas, um efetivo de 30 homens do 15º Batalhão da Polícia Militar (Rolândia) já estava no local.
O major José Cezário de Paula, manteve entendimentos com líderes do movimento, sendo informado de sua firme disposição de manter-se na área. Eles garantem que a fazenda já foi comprada pelo Incra e que outras famílias de sem-terra virão para a São Carlos nos próximos dias, comentou o major.
À tarde, o comando do 15º BPM obteve informações extra-oficiais dando conta de que o Incra está mesmo negociando o imóvel. Diante deste quadro, nossa posição é de retração, anunciou o major Cezário, acrescentando que todo o efetivo de policiais foi retirado da Fazenda São Carlos.
Segundo o major, este grupo de sem-terra vinha sendo monitorado no fim de semana, desde de que saiu de Paraíso do Norte, passando por várias cidades em passeata. A idéia era interceptá-los, mas fomos surpreendidos com o objetivo deles, revelou o oficial.
Reintegração A Assessoria de Comunicação Social do Banco do Brasil no Paraná informou ontem que a negociação da Fazenda São Carlos com o Incra está bastante adiantada. A princípio, o valor mínimo da propriedade (R$ 3 milhões) estipulado pelo BB em licitação, foi considerado muito alto pelo Incra que, depois aceitou e entrou em negociação. O banco justifica o valor explicando que toda área da fazenda é de alta produtividade e dotada inclusive de tecnologia de irrigação.
Ainda não houve a oficialização do negócio, mas toda a documentação está em fase de trâmite, em Brasília, admitiu um assessor da superintendência do BB no Paraná. Mesmo assim, o banco anunciou ontem que, para resguardar seus direitos, está dando entrada a um novo pedido de reintegração de posse da fazenda.


