Curitiba

Albari RosaConcentraçãoMembros do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra no Paraná se reuniram no Parque Barigui pela manhã. Às 10h30 eles iniciaram a marcha pelas ruas do Centro em direção ao terreno onde devem ficar acampados até sexta-feira. Durante todo o percursso, a passeata foi acompanhada por carros e motos da Polícia Militar e por uma ambulância da prefeituraO frio e a chuva esvaziaram ontem o primeiro dia da Jornada Nacional de Lutas dos Sem-terra em Curitiba, reduzindo o número de participantes, estimado inicialmente pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) em 2.000 pessoas. No Parque Barigui, ponto de encontro inicial dos trabalhadores, apenas oito ônibus e pouco mais de 250 manifestantes (segundo estimativa da Polícia Militar) fizeram parte da marcha que cruzou o Centro de Curitiba em direção ao acampamento cedido pela prefeitura, próximo ao Cemitério Municipal. Segundo o comando do movimento, o número de participantes da marcha chegou a 1.000 no início da tarde.
Os manifestantes deixaram o Parque Barigui por volta das 10h30 e percorreram as principais avenidas da cidade. Durante todo o percursso, a passeata foi acompanhada por carros e motos da Polícia Militar e por uma ambulância da prefeitura.
Levando bandeiras vermelhas amarradas a mastros de bambu e usando bonés com o logotipo do movimento, os participantes da marcha tentaram sensibilizar os trabalhadores urbanos para a importância da luta das família sem-terra. Alguns exibiam facões e foices, calças e botas com marcas vermelhas de barro. Não houve tumultos.
A chegada dos trabalhadores ao acampamento aconteceu perto das 13h. Ali, foram divididos em 11 grupos, de acordo com as várias regiões de procedência. Os maiores grupos vieram das regiões Noroeste e Centroeste do Paraná. Antes de ocupar as barracas, todos ergueram as bandeiras e os bonés para cantar o ‘‘Hino do Movimento dos Sem-Terra’’. Com os punhos erguidos, repetiam o refrão ‘‘Nossa força nos leva a edificar / Nossa pátria livre e forte / Construída pelo poder popular’’. Os trabalhadores deverão permanecer acampados em Curitiba até sexta-feira, data de encerramento em todo o Brasil da Jornada Nacional de Lutas.
Além das manifestações a favor da reforma agrária para tentar assentar 9.000 famílias no Estado, fazem parte da lista de reividicações do MST o combate ao desemprego e ao déficit habitacional, o fim da impunidade dos corruptos e dos policiais que cometem crimes. Nos panfletos distribuídos pelos trabalhadores, o caso da condenação a 26 anos de prisão do líder do MST, José Rainha, acusado de homicídio, também é citado. Os trabalhadores sem-terra reivindicam também cerca de R$ 100 milhões para o custeio agrícola das famílias já assentadas no Paraná.
Amanhã a direção do MST tem uma audiência marcada com a superintendente regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Maria de Oliveira. Segundo o coordenador estadual do Movimento, Roberto Baggio, um pedido de reunião com o governador Jaime Lerner também já foi protocolado. Na sexta-feira, dois atos públicos já estão marcados - um às 13h, em frente ao Palácio Iguaçu, e outros às 15h, na Boca Maldita. (Leia mais sobre o MST na página 3 deste caderno)

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