Cerca de 100 militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) fizeram um ato público ontem em frente ao prédio do Incra, no centro de Curitiba. O protesto aconteceu simultaneamente em todas as capitais do Brasil, para pedir a liberação de R$ 37 milhões do Programa Nacional de Educação da Reforma Agrária (Pronera).
O dinheiro seria usado na criação e manutenção de programas de universidades brasileiras, que escolarizam e capacitam monitores sem-terra. São estes monitores que dão aulas aos trabalhadores adultos analfabetos.
Segundo a coordenadora educacional do MST Márcia Rodrigues Vaz, que coordena o Pronera pelo movimento, no Paraná entre 50% e 60% dos trabalhadores rurais dos assentamentos são analfabetos. A taxa é maior ainda em Estados do Norte e Nordeste do País, onde chega a índices de 70% dos sem-terra. ‘‘O analfabetismo impede o desenvolvimento’’, disse.
Conforme Márcia Vaz, desde a criação do Pronera, em junho do ano passado, no Encontro Nacional dos Educadores da Reforma Agrária, o governo federal havia liberado apenas R$ 3 milhões, o equivalente a menos de 10% do total do programa, destinado a oito Estados. Segundo a coordenadora, em virtude da crise econômica, o presidente Fernando Henrique Cardoso anunciou cortes de 90% no Pronera. ‘‘Isso seria a eliminação do programa’’, afirmou.
Segundo Márcia, para o Paraná o Pronera prevê a liberação de cerca de R$ 750 mil para três projetos, todos de R$ 250 mil. Um deles seria destinado à Universidade Federal do Paraná e à Universidade Estadual de Ponta Grossa. Os outros dois para a Universidade Estadual de Maringá e para a Universidade Estadual de Londrina.
O manifesto de ontem foi pacífico, sustentado por faixas e cartazes, e também se opôs à municipalização da reforma agrária, proposta pelo presidente FHC. Para Márcia, a municipalização seria uma forma de ‘‘emperrar de vez’’ a reforma.
A coordenadora argumentou que, em geral, os prefeitos são latinfundiários dos municípios e, por isso, não teriam interesse em realizar a reforma. ‘‘A pressão política e a relação de poder do prefeito com os fazendeiros locais vai inviabilizar a reforma’’, disse. Além disso, diz, o governo federal estaria repassando uma responsabilidade sua aos municípios, que não possuem dinheiro para levar em frente a reforma agrária.

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