MST faz manifestação para obter recursos para educação
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sexta-feira, 06 de novembro de 1998
James Alberti 
Cerca de 100 militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) fizeram um ato público ontem em frente ao prédio do Incra, no centro de Curitiba. O protesto aconteceu simultaneamente em todas as capitais do Brasil, para pedir a liberação de R$ 37 milhões do Programa Nacional de Educação da Reforma Agrária (Pronera).
O dinheiro seria usado na criação e manutenção de programas de universidades brasileiras, que escolarizam e capacitam monitores sem-terra. São estes monitores que dão aulas aos trabalhadores adultos analfabetos.
Segundo a coordenadora educacional do MST Márcia Rodrigues Vaz, que coordena o Pronera pelo movimento, no Paraná entre 50% e 60% dos trabalhadores rurais dos assentamentos são analfabetos. A taxa é maior ainda em Estados do Norte e Nordeste do País, onde chega a índices de 70% dos sem-terra. O analfabetismo impede o desenvolvimento, disse.
Conforme Márcia Vaz, desde a criação do Pronera, em junho do ano passado, no Encontro Nacional dos Educadores da Reforma Agrária, o governo federal havia liberado apenas R$ 3 milhões, o equivalente a menos de 10% do total do programa, destinado a oito Estados. Segundo a coordenadora, em virtude da crise econômica, o presidente Fernando Henrique Cardoso anunciou cortes de 90% no Pronera. Isso seria a eliminação do programa, afirmou.
Segundo Márcia, para o Paraná o Pronera prevê a liberação de cerca de R$ 750 mil para três projetos, todos de R$ 250 mil. Um deles seria destinado à Universidade Federal do Paraná e à Universidade Estadual de Ponta Grossa. Os outros dois para a Universidade Estadual de Maringá e para a Universidade Estadual de Londrina.
O manifesto de ontem foi pacífico, sustentado por faixas e cartazes, e também se opôs à municipalização da reforma agrária, proposta pelo presidente FHC. Para Márcia, a municipalização seria uma forma de emperrar de vez a reforma.
A coordenadora argumentou que, em geral, os prefeitos são latinfundiários dos municípios e, por isso, não teriam interesse em realizar a reforma. A pressão política e a relação de poder do prefeito com os fazendeiros locais vai inviabilizar a reforma, disse. Além disso, diz, o governo federal estaria repassando uma responsabilidade sua aos municípios, que não possuem dinheiro para levar em frente a reforma agrária.


